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Receber o diagnóstico de câncer de mama em idade jovem é, para muitas mulheres, um choque que muda completamente a rotina, os planos e até mesmo a forma de enxergar o futuro. Uma das primeiras dúvidas que surgem é: “Será que vou conseguir ser mãe depois do tratamento?”

Uma pesquisa apresentada no Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em 2024, trouxe uma resposta que enche de esperança: a maioria das mulheres jovens diagnosticadas com câncer de mama em estágio inicial conseguiu engravidar após o tratamento.

De acordo com o estudo, 73% das pacientes que tentaram engravidar conseguiram, e 65% chegaram ao nascimento de um bebê vivo. Os dados são animadores, porque reforçam que a maternidade pode, sim, ser possível mesmo depois de enfrentar a doença.

Neste texto, vamos entender como isso é possível e quais são os caminhos para preservação da fertilidade da paciente com câncer.

Câncer de mama em mulheres jovens: um desafio duplo

O câncer de mama é o tipo de tumor mais comum entre mulheres no Brasil e no mundo. Embora seja mais frequente após os 50 anos, ele também pode atingir mulheres em idade reprodutiva.

O impacto é ainda maior porque, além da preocupação com a saúde, surgem questionamentos sobre o futuro reprodutivo. Afinal, alguns tratamentos — como quimioterapia e hormonioterapia — podem comprometer a função ovariana, provocando menopausa precoce e dificultando a gravidez natural.

Isso não significa, porém, que todas as pacientes ficarão inférteis. Cada caso é único, e os avanços da medicina têm permitido cada vez mais que o tratamento do câncer caminhe junto com os cuidados para preservação da fertilidade feminina.

O que a pesquisa revelou?

O estudo apresentado na ASCO avaliou 1.213 mulheres com câncer de mama em estágio inicial, diagnosticadas entre 2006 e 2016.

  • Dessas, 197 tentaram engravidar após o tratamento;
  • A maioria conseguiu engravidar naturalmente ou com auxílio médico;
  • Apenas 28% haviam realizado algum tipo de preservação de fertilidade antes da terapia oncológica;
  • As maiores taxas de sucesso foram observadas entre as pacientes mais jovens e naquelas que recorreram ao congelamento de óvulos ou embriões antes do tratamento.

Esses resultados são inéditos porque envolvem mais de dez anos de acompanhamento, algo raro em pesquisas sobre fertilidade em pacientes oncológicas.

Como o tratamento do câncer de mama afeta a fertilidade?

O impacto depende de fatores como idade da paciente, tipo de tumor e protocolos usados. Os principais pontos são:

  • Quimioterapia: pode reduzir a reserva ovariana, antecipando a menopausa;
  • Radioterapia: quando realizada próxima aos ovários, também pode comprometer a fertilidade;
  • Hormonioterapia: em casos de tumores receptores hormonais positivos, é comum o uso de medicamentos que bloqueiam estrogênio e progesterona. Eles controlam o tumor, mas podem levar à falência ovariana temporária ou definitiva.

Apesar disso, a fertilidade pode ser protegida com medidas específicas, indicadas de acordo com cada caso.

Técnicas para preservar a fertilidade antes do tratamento oncológico

Hoje existem diferentes formas de preservar a fertilidade em mulheres que vão iniciar a terapia oncológica:

  1. Congelamento de óvulos

É a técnica mais comum. Consiste em estimular os ovários com hormônios, coletar os óvulos e armazená-los em nitrogênio líquido.

  1. Congelamento de embriões

Semelhante ao congelamento de óvulos, mas aqui já há a fertilização em laboratório com espermatozoides. É indicado para pacientes com parceiro definido ou que desejam usar sêmen de doador.

  1. Congelamento de tecido ovariano

Envolve a retirada cirúrgica de fragmentos do ovário, que podem ser reimplantados futuramente. Ainda em estudo, mas já disponível em alguns centros.

  1. Transposição ovariana

Os ovários são reposicionados cirurgicamente para fora do campo de radiação, em casos de radioterapia pélvica.

  1. Uso de medicamentos protetores

Alguns análogos hormonais podem ser administrados para reduzir o impacto da quimioterapia sobre os ovários.

Perguntas importantes para fazer ao oncologista

Se você recebeu o diagnóstico de câncer de mama e ainda deseja ter filhos no futuro, leve essas questões para sua consulta:

  • Como o meu tratamento pode afetar minha fertilidade?
  • Qual é o meu risco de infertilidade: alto, moderado ou baixo?
  • Tenho tempo para realizar o congelamento de óvulos ou embriões antes de começar o tratamento?
  • Quais opções estão disponíveis para o meu caso?
  • Posso ser encaminhada a um especialista em reprodução humana assistida?

A decisão sobre a preservação da fertilidade precisa ser tomada rapidamente, mas com informações claras é possível se planejar melhor.

É seguro engravidar após câncer de mama?

Uma dúvida frequente é se engravidar pode aumentar o risco de recidiva da doença. Os estudos atuais indicam que a gestação não aumenta a chance de o tumor voltar, nem piora o prognóstico.

No entanto, a decisão deve ser individualizada, levando em conta:

  • Tempo de término do tratamento;
  • Tipo de tumor;
  • Condições gerais de saúde.

Em alguns casos, pode ser recomendada uma pausa temporária da hormonioterapia para permitir a gestação. Essa conduta precisa sempre de acompanhamento médico rigoroso.

O papel do aconselhamento em reprodução assistida

O que a pesquisa da ASCO reforça é que informação é poder. Muitas mulheres não recebem orientação adequada sobre fertilidade no momento do diagnóstico, o que reduz suas chances de preservar os óvulos ou embriões.

O ideal é que, assim que o câncer de mama seja identificado, a paciente seja encaminhada para uma consulta com especialista em reprodução assistida. Dessa forma, ela pode tomar uma decisão informada, conciliando tratamento oncológico e desejo reprodutivo.

Quem é a Dra. Paula Marin

A Dra. Paula Marin é médica especialista em Reprodução Humana Assistida, autora do e-book “Câncer, Preservação da Fertilidade e Qualidade de Vida”, que você pode baixar aqui.

Com experiência em técnicas como congelamento de óvulos e embriões, Dra. Paula atua com o propósito de empoderar mulheres para que tomem decisões seguras sobre o futuro da maternidade, mesmo diante de diagnósticos desafiadores como o câncer de mama.

Seus pilares de atuação são:

  • Capacidade técnica, baseada nas melhores evidências científicas;
  • Cuidado acolhedor, com escuta ativa e empatia;
  • Clareza na comunicação, para que cada paciente entenda suas opções e escolhas.

Conclusão

O diagnóstico de câncer de mama em idade jovem assusta e gera muitas incertezas. Mas a ciência mostra que a maternidade continua sendo possível: a maioria das mulheres consegue engravidar após o tratamento, principalmente quando há preservação da fertilidade antes da terapia oncológica.

O congelamento de óvulos ou embriões não é garantia de gravidez, mas é uma forma concreta de manter viva a possibilidade da maternidade no futuro.

Informação, acolhimento e planejamento são as chaves para que cada paciente possa enfrentar o câncer sem renunciar ao direito de sonhar com uma família.

Se você recebeu o diagnóstico de câncer e deseja ter filhos no futuro, agende sua consulta com a Dra. Paula Marin.

Autor

  • Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

    CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

Dra. Paula Marin

Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621