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Casais homoafetivos femininos são, hoje, a maior parcela das uniões homoafetivas do país. Elas formam famílias reais, diversas, cheias de afetos  e, cada vez mais, buscam a medicina reprodutiva para construir o sonho da maternidade.

De acordo com o Censo 2022, o Brasil tem hoje cerca de 480 mil famílias formadas por casais do mesmo sexo, um aumento de 727% em relação a 2010. E há um dado ainda mais importante: 58% dessas uniões são formadas por mulheres.

O dilema da maternidade não envolve apenas mulheres heterossexuais. Mulheres que se relacionam com mulheres também têm dúvidas, medos e sonhos sobre engravidar. O papel do especialista é oferecer uma escuta atenta e cuidadosa para que esses casais não se sintam excluídos desse tema.

O que diz a ciência sobre as famílias homoafetivas femininas

Os dados do IBGE mostram que essas famílias não são mais exceção. Elas fazem parte da estrutura social brasileira e crescem todos os anos:

  • 58% das uniões homoafetivas são femininas;
  • 480 mil casais homoafetivos no total;
  • Crescimento de 727% em uma década;
  • 0,7% de todas as uniões no país;
  • 77,6% vivem em união estável.

São mulheres que constroem projetos de vida, carreira, estabilidade  e maternidade.

Como aumentar a família?

A jornada da maternidade em casais homoafetivos femininos começa com uma decisão importante:

“Quem irá gestar e de quem será o óvulo?”

Essa escolha envolve desejo pessoal, tempo de vida, saúde reprodutiva, idade e fatores clínicos avaliados pelo especialista em Reprodução Humana Assistida.

Depois disso, existem dois caminhos possíveis:

  • Inseminação Intrauterina (IIU)
  • Fertilização in vitro (FIV) — incluindo o Método ROPA (Gestação Compartilhada)

Cada técnica tem suas características, etapas, custos, vantagens e limitações.

Caminho 1: Inseminação Intrauterina (IIU) com sêmen de doador

É a técnica mais simples e de menor custo. Uma das parceiras engravida com sêmen de um doador, sem necessidade de coleta de óvulos.

Como funciona:

  • Pode ser feita em ciclo natural ou com leve estimulação hormonal.
  • O sêmen é depositado no útero no período fértil.

Taxas de sucesso: Cerca de 20% por ciclo.

Quando é ideal:

  • Mulheres jovens, com boa reserva ovariana;
  • Trompas saudáveis;
  • Casais que desejam um processo menos complexo.

Caminho 2: Fertilização In Vitro (FIV) com sêmen de doador

Aqui existem essas possibilidades:

  1. A mesma parceira fornece o óvulo e gesta o bebê. Simples, direto e muito comum;
  2. Uma parceira fornece o óvulo e a outra engravida (Método ROPA / Gestação Compartilhada). É o método mais simbólico para muitos casais, pois ambas participam biologicamente do processo:
  • Uma fornece o material genético (óvulo);
  • A outra fornece o útero (gestação).

É uma forma de fortalecer o vínculo afetivo e muitas famílias escolhem esse método justamente por isso.

 

Em alguns casos, coletam-se óvulos das duas e depois se define a melhor estratégia.

A FIV também permite:

  • Formar vários embriões;
  • Testar embriões (PGT-A);
  • Planejar mais de uma gestação futura.

Taxas de sucesso: Cerca de 50% a 60% por ciclo, principalmente quando a parceira que fornece os óvulos tem menos de 35 anos.

 

A escolha do sêmen do doador: etapa técnica e segura

A seleção do doador é feita por meio de bancos de sêmen autorizados — nacionais ou internacionais — com critérios rigorosos de qualidade.

Nos bancos, a escolha pode considerar:

  • Perfil genético;
  • Características físicas;
  • Histórico familiar;
  • Escolaridade;
  • Profissão;
  • Hobbies e interesses;
  • Testes genéticos completos;
  • Em alguns bancos: foto de infância do doador.

A importação é permitida pela Anvisa e extremamente segura. Os bancos internacionais oferecem mais informações sobre o doador, enquanto os bancos brasileiros têm dados mais restritos. A função do especialista em Reprodução Humana Assistida é ajudar o casal a entender as diferenças e tomar uma decisão segura.

 

Como é feito o tratamento?

Depois de escolhido o doador e definido o método, começam as etapas práticas.

Inseminação Intrauterina (IIU)

  • Duração: cerca de 14 dias;
  • Procedimento simples e rápido;
  • Baixo custo.

Fertilização in Vitro (FIV)

  • 9 a 11 dias de estimulação ovariana;
  • Coleta dos óvulos;
  • Fertilização em laboratório;
  • Desenvolvimento dos embriões por 5 a 7 dias;
  • Congelamento ou transferência;
  • A parceira que vai gestar é acompanhada e a transferência é feita no momento ideal da ovulação.

Genética: o bebê será “filho das duas”?

Depende. O bebê recebe carga genética de dois elementos:

  • Óvulo → genética da mãe que doa;
  • Espermatozoide → genética do doador.

Porém, estudos mostram que a gestação pode influenciar o bebê por mecanismos epigenéticos: a gestante “marca” o desenvolvimento do embrião com características que vão além da genética pura. Ou seja: no Método ROPA, uma mãe contribui com genética e a outra contribui com biologia gestacional e ambas têm participação real e significativa na formação daquele bebê.

A importância do especialista em Reprodução Humana para casais homoafetivos femininos

A construção de uma família homoafetiva feminina envolve expectativas, dúvidas, inseguranças e decisões complexas.

Por isso, o papel do especialista é:

  • Explicar cada técnica com clareza e ética;
  • Avaliar idade, reserva ovariana, exames e contexto emocional;
  • Ajudar a escolher entre IIU, FIV (incluindo Método ROPA);
  • Orientar sobre bancos de sêmen e testes genéticos;
  • Planejar estratégias para o futuro (inclusive segunda gestação);
  • Oferecer acolhimento, cuidado e linguagem livre de julgamentos.

 

O  especialista em Reprodução Humana  Assistida precisa  garantir que cada casal homoafetivo feminino entenda suas opções sem pressa, sem pressão e com toda a informação necessária para escolher o melhor caminho para construir sua família.

 

Quem é a Dra. Paula Marin

A Dra. Paula Marin é médica especialista em Reprodução Humana Assistida:

  • Médica formada pela USP;
  • Residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da USP;
  • Fellowship em Reprodução Humana pela Yale University (EUA);
  • Estágio no Instituto Valenciano de Infertilidade – IVI (Espanha).

Atua em São Paulo, na Mater Prime, com foco em cuidado, ciência e acolhimento a famílias diversas, incluindo casais homoafetivos femininos que desejam ampliar sua família.

Seus pilares de atuação:

  • Capacidade técnica;
  • Cuidado humanizado;
  • Clareza na comunicação.

Conclusão

O desejo de maternar não pertence a um único modelo de família. Ele pertence a quem sente. E casais homoafetivos femininos têm todo o direito de viver essa experiência de forma segura, ética e planejada.

A reprodução assistida oferece caminhos reais, acessíveis e afetivos para que duas mulheres construam a família que desejam, com liberdade, autonomia e cuidado.

A maternidade é um lugar de amor. E amor não tem gênero. A ciência está aqui para apoiar, acolher e tornar real o sonho dessas famílias.

Autor

  • Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

    CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

Dra. Paula Marin

Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621