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Endometriose no cinema!

Você já ouviu que cólica forte é “normal”? Que faz parte de “ser mulher”?

Agora, imagine sentir uma dor incapacitante, que te leva ao pronto-socorro  e ainda assim não ser levada a sério.

Essa é a realidade de muitas mulheres com endometriose.

E foi exatamente isso que o curta “This Is Endometriosis”, premiado no BAFTA 2026, trouxe à tona.

O curta que colocou a endometriose no centro da conversa

O documentário, dirigido por Matt Houghton e Georgie Wileman, tem apenas 19 minutos, mas um impacto enorme.

A obra conquistou o prêmio de Melhor Curta-Metragem Britânico no BAFTA 2026, um dos reconhecimentos mais importantes da indústria audiovisual.

O motivo?

Ela mostra, de forma íntima e real, o que muitas mulheres vivem por anos:

  • Dor crônica;
  • Diagnóstico tardio;
  • Descredibilização médica;
  • Impacto na vida pessoal e profissional.

A própria diretora, Georgie Wileman, vive com endometriose  e traz sua experiência pessoal para o filme.

O resultado é um alerta poderoso: a endometriose ainda é subdiagnosticada e subestimada.

Endometriose: mais comum do que você imagina

A endometriose é uma doença inflamatória crônica.

Ela acontece quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir ovários, trompas, intestino e outras regiões.

Estima-se que 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva tenha a doença.

E os sintomas vão muito além da cólica:

  • Dor pélvica;
  • Inchaço abdominal;
  • Alterações intestinais;
  • Dor durante relações sexuais;
  • Cólica menstrual importante.

O problema?

Muitas mulheres convivem com esses sintomas por anos antes de receber o diagnóstico correto.

Endometriose e infertilidade: qual é a relação?

Receber o diagnóstico de endometriose não significa que você não poderá engravidar.

Mas significa que sua fertilidade pode ser impactada.

Estima-se que entre 30% e 50% das mulheres com endometriose apresentem dificuldade para engravidar.

Isso pode acontecer por diferentes fatores:

  • Alterações anatômicas (aderências, obstrução das trompas) – a formação de aderências pode comprometer o funcionamento das trompas, dificultando o encontro entre óvulo e espermatozoide e o transporte do embrião;
  • Inflamação no ambiente pélvico;
  • Alterações na qualidade dos óvulos;
  • Dificuldade de implantação do embrião.

Mas é importante reforçar:

  • Endometriose não é sinônimo de infertilidade.
  • Muitas mulheres engravidam espontaneamente.

O ponto central é: não dá para prever quem terá dificuldade.

E onde entra o congelamento de óvulos?

Se você tem endometriose e não pretende engravidar agora, essa é uma conversa importante.

O congelamento de óvulos surge como uma estratégia de preservação da fertilidade.

Por quê?

Porque você pode estar lidando com dois fatores ao mesmo tempo:

  1. O impacto da endometriose na fertilidade;
  2. A queda natural da qualidade dos óvulos com a idade.

A partir dos 35 anos, essa queda se torna mais acentuada.

Ou seja: esperar pode significar acumular fatores que dificultam a gestação no futuro.

Quem deve considerar o congelamento?

Nem toda mulher com endometriose precisa congelar óvulos.

Mas algumas situações merecem atenção especial:

  • Idade acima de 30 anos sem planos de gravidez imediata;
  • Presença de endometrioma (cisto no ovário);
  • Indicação de cirurgia ovariana;
  • Desejo de postergar a maternidade.

Endometrioma: um ponto de atenção importante

O endometrioma é um tipo de cisto causado pela endometriose nos ovários.

Ele pode afetar diretamente a reserva ovariana.

Isso acontece porque:

  • Pode comprometer o tecido ovariano saudável;
  • Pode reduzir o número de óvulos disponíveis;
  • Pode afetar a qualidade dos óvulos.

E existe outro ponto importante:

A cirurgia para retirada do endometrioma também pode reduzir a reserva ovariana.

Mesmo quando realizada com técnica cuidadosa, pode haver perda de tecido saudável.

Por isso, em muitos casos, o congelamento de óvulos antes da cirurgia é uma estratégia considerada.

Como funciona o congelamento de óvulos?

O processo é mais simples do que parece e relativamente rápido.

Ele envolve três etapas principais:

  1. Estimulação ovariana

Uso de medicações hormonais por cerca de 10 a 12 dias para estimular o crescimento de múltiplos folículos.

  1. Aspiração folicular

Procedimento realizado sob sedação para coleta dos óvulos.

  1. Congelamento

Os óvulos são vitrificados e armazenados para uso futuro.

Todo o processo dura, em média, 12 a 14 dias.

Preservar a fertilidade é sobre possibilidades

Nem toda mulher com endometriose terá infertilidade.

Mas também não é possível prever quem terá.

E é exatamente por isso que a preservação da fertilidade entra como estratégia.

Não é uma obrigação. Não é uma imposição.

É uma decisão compartilhada.

O tratamento da endometriose associada à infertilidade precisa ser individualizado. Não existe uma única resposta, existe o que faz sentido para você, naquele momento.

Quem é a Dra. Paula Marin?

A Dra. Paula Marin é médica especialista em Reprodução Humana Assistida, com atuação focada em planejamento reprodutivo e preservação da fertilidade.

Seu trabalho é baseado em três pilares:

  • Capacidade técnica: atualização constante e decisões baseadas em evidência científica;
  • Cuidado: escuta ativa e respeito à história de cada paciente;
  • Clareza: explicações diretas para que você entenda cada etapa e cada escolha.

Conclusão

O curta premiado no BAFTA trouxe visibilidade para algo que muitas mulheres já sabiam na prática: a dor da endometriose não é só física. Ela impacta no diagnóstico, qualidade de vida e fertilidade.

Se você tem endometriose, o mais importante não é entrar em pânico.

É se informar. Entender seu corpo, suas possibilidades e seus caminhos.

Porque quando falamos de fertilidade, o tempo importa, mas a informação certa, no momento certo, importa ainda mais.

Autor

  • Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

    CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

Dra. Paula Marin

Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621