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Você provavelmente já ouviu falar de Inteligência Artificial (IA) criando textos, imagens, analisando dados e transformando diversas áreas da nossa vida.

Mas talvez você ainda não saiba que essa tecnologia também chegou à Reprodução Humana Assistida.

Uma empresa canadense desenvolveu uma plataforma baseada em inteligência artificial capaz de analisar imagens de óvulos em alta resolução e oferecer novas informações sobre o potencial reprodutivo dessas células.

Na prática, após a coleta dos óvulos, imagens microscópicas são avaliadas por algoritmos treinados com uma grande quantidade de dados. O objetivo é identificar padrões e características que podem trazer informações adicionais sobre aquele grupo de óvulos.

Essa inovação tem chamado atenção especialmente em duas situações:

  • mulheres que fazem congelamento de óvulos e querem entender melhor o material armazenado;
  • pacientes em tratamento de fertilização in vitro (FIV), em que cada etapa pode trazer informações importantes para definir estratégias.

Mas o que essa inteligência artificial pode realmente agregar no congelamento de óvulos? 

Primeiro: como avaliamos o congelamento de óvulos hoje? 

Se você está pensando em congelar óvulos ou já passou pelo tratamento, provavelmente uma das maiores dúvidas é: “Será que eu congelei óvulos suficientes?”

Durante muitos anos, essa resposta foi baseada principalmente em alguns fatores:

  • idade da mulher no momento do congelamento;
  • número de óvulos maduros congelados;
  • dados científicos sobre chances futuras de gravidez.

E esses fatores continuam sendo extremamente importantes. Isso porque a idade é um dos principais marcadores da qualidade dos óvulos.

Uma mulher que congelou óvulos aos 32 anos e uma mulher que congelou aos 40 anos podem ter o mesmo número de óvulos armazenados, mas certamente não terão as mesmas chances futuras.

Quantidade importa, mas qualidade também importa muito. E é justamente nesse ponto que novas tecnologias vêm tentando trazer mais informações.

Como a Inteligência Artificial pode avaliar os óvulos? 

Durante o processo de congelamento de óvulos, depois da aspiração folicular, os óvulos maduros são avaliados no laboratório antes de serem congelados.

Com as novas ferramentas de IA, imagens desses óvulos podem ser analisadas por sistemas capazes de reconhecer padrões.

Esses algoritmos são treinados com milhares de informações para tentar identificar características relacionadas ao desenvolvimento daquele óvulo no futuro.

A proposta é sair de uma avaliação baseada apenas em quantidade e trazer dados complementares sobre aquele grupo específico de óvulos.

Ou seja: não olhar apenas para  “Quantos óvulos eu tenho?”, mas também tentar entender: “Quais as chances que os MEUS óvulos me trazem no futuro?”

O que isso pode mudar na prática?

Hoje nós utilizamos os trabalhos na literatura para estimar a chance de sucesso no futuro.

Esses trabalhos podem ser modelos matemáticos com algoritmos ou mesmo trabalhos com estatísticas de sucesso de mulheres que retornaram no futuro para usar seus óvulos,

Ou seja, esses trabalhos trazem estimativas populacionais, mas seu corpo, seus óvulos podem performar melhor ou pior do que a média na população.

Imagina então que você terminou seu congelamento de óvulos e recebeu o resultado com o número de óvulos armazenados.

A pergunta direta que sempre vem é: “Será que isso é suficiente para realizar meu projeto de maternidade no futuro?”

Essa decisão nunca é simples. Ela envolve:

  • sua idade;
  • sua reserva ovariana;
  • quantidade de óvulos obtidos;
  • seu desejo futuro de filhos;
  • seu momento de vida.

A inteligência artificial pode trazer uma nova camada de informação para essa conversa.

Ela analisa características dos seus próprios óvulos para estimar qual pode ser o potencial reprodutivo daquele grupo específico.

Na prática, isso significa caminhar para um aconselhamento cada vez mais individualizado.

Ela pode ajudar o médico e a paciente a discutirem, com mais elementos, se aquela reserva parece adequada ou se faz sentido considerar um novo ciclo de congelamento.

Mas atenção, há uma consideração importante a ser colocada!

Agora existe um ponto muito importante, e que pouca gente comenta.

Na minha opinião, eu acredito que a inteligência articula esse seja, sim, o futuro da reprodução humana.

Mas o futuro ainda está sendo construído.

As plataformas disponíveis hoje apresentam uma capacidade de previsão ainda moderada. Em muitos estudos, a acurácia fica abaixo de 70%.

Isso significa que elas conseguem acrescentar informações relevantes, mas ainda erram com frequência suficiente para que suas análises não possam ser utilizadas isoladamente na tomada de decisão.

Ou seja: ainda estamos diante de uma tecnologia em evolução.

É exatamente por isso que eu vejo a inteligência artificial como uma ferramenta de apoio.

Ela pode enriquecer nossa avaliação. Pode revelar informações que antes simplesmente não existiam. Mas ela não substitui o raciocínio clínico.

Porque nenhuma inteligência artificial conhece a sua história. Nenhum algoritmo sabe qual é o seu momento de vida, seus planos, sua reserva ovariana, seu desejo de maternidade ou aquilo que faz sentido para você.

Esses dados precisam ser interpretados dentro da realidade de cada mulher.

A Inteligência Artificial pode entrar como mais uma ferramenta para ajudar nessa conversa, trazendo informações adicionais para médico e paciente discutirem os próximos passos. Mas é importante entender: ela não toma a decisão por você.

Inteligência Artificial também está sendo estudada na Fertilização in Vitro (FIV) 

Além do congelamento de óvulos, a IA também vem sendo estudada em outras etapas dos tratamentos de reprodução assistida.

Entre elas:

  • Estimulação ovariana personalizada

A estimulação ovariana é a fase em que utilizamos medicações hormonais para estimular o crescimento dos folículos ovarianos. Algoritmos vêm sendo estudados para auxiliar na previsão da resposta aos medicamentos, ajudando na individualização dos protocolos.

O objetivo é entender melhor como cada paciente pode responder ao tratamento.

  • Avaliação de óvulos e espermatozoides

Na reprodução humana, trabalhamos com células microscópicas. Por isso, ferramentas capazes de analisar imagens podem trazer informações adicionais. A IA vem sendo estudada para auxiliar na avaliação de:

  • características dos óvulos;
  • movimentação e características dos espermatozoides;
  • padrões associados ao desenvolvimento embrionário.
  • Acompanhamento dos embriões

Outra área de grande desenvolvimento é a avaliação embrionária. Alguns sistemas acompanham o desenvolvimento dos embriões ao longo dos dias e utilizam algoritmos para analisar padrões de crescimento. Essas informações podem auxiliar a equipe de embriologia na tomada de decisão.

Mas a Inteligência Artificial aumenta a chance de engravidar? 

Essa é a parte mais importante da conversa. Toda inovação gera expectativa. Mas precisamos separar potencial de comprovação científica. A Inteligência Artificial é uma ferramenta promissora. Ela pode ajudar a organizar dados, analisar informações e apoiar decisões.

Mas ela não:

  • melhora a qualidade biológica dos óvulos;
  • transforma um óvulo alterado em saudável;
  • garante gravidez;
  • substitui o médico ou o embriologista.

A tecnologia pode oferecer mais informações. Mas fertilidade continua sendo um processo complexo.

Tecnologia não substitui cuidado individualizado 

Na medicina, mais dados podem ajudar, mas dados precisam ser interpretados. Uma paciente não é apenas um exame, não é apenas um número de óvulos, não é apenas um relatório.

Quando falamos sobre congelamento de óvulos ou fertilização in vitro, precisamos considerar:

  • idade;
  • história reprodutiva;
  • exames;
  • doenças associadas;
  • reserva ovariana;
  • objetivos pessoais;
  • momento de vida.

A melhor decisão acontece quando conseguimos unir ciência, tecnologia e individualização.

O futuro da Reprodução Assistida será cada vez mais tecnológico?

Provavelmente sim. A medicina reprodutiva sempre caminhou junto com a inovação. A própria fertilização in vitro, que hoje ajuda milhares de pessoas no mundo, só existe porque pesquisadores buscaram novas possibilidades.

A Inteligência Artificial representa mais uma etapa dessa evolução. Mas talvez o grande avanço não esteja em substituir o olhar humano. Está em ampliar nossa capacidade de enxergar informações que antes não estavam disponíveis.

Quem é a Dra. Paula Marin? 

A Dra. Paula Marin é médica especialista em Reprodução Humana Assistida, com atuação focada em fertilidade feminina, congelamento de óvulos, fertilização in vitro e planejamento reprodutivo.

Seu trabalho é baseado em três pilares:

Capacidade técnica
Com atualização constante e decisões baseadas nas melhores evidências científicas disponíveis.

Cuidado
Com acolhimento, escuta e respeito pela história de cada paciente.

Clareza
Para que você compreenda suas possibilidades e participe das decisões sobre sua fertilidade.

Conclusão 

A Inteligência Artificial chegou à Reprodução Humana Assistida trazendo novas possibilidades. Ela pode ajudar a analisar informações, apoiar decisões e tornar os tratamentos cada vez mais personalizados.

Mas tecnologia não deve substituir algo essencial: o cuidado individual. Quando falamos de fertilidade, não estamos falando apenas de células, números ou algoritmos. Estamos falando de histórias, escolhas e projetos de vida.

A inovação pode trazer novos caminhos. Mas a decisão continua sendo construída entre você, sua história e uma orientação médica baseada em ciência. 

Autor

  • Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

    CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

Dra. Paula Marin

Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621