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Um bebê nasceu em Ohio, nos Estados Unidos, de um embrião que permaneceu congelado por mais de 30 anos, estabelecendo um novo recorde mundial.

Lindsey Pierce, de 35 anos, e seu marido, Tim, de 34, receberam o pequeno Thaddeus Daniel Pierce em julho de 2025, após uma longa jornada de sete anos tentando engravidar. Para Lindsey, a experiência parecia “algo saído de um filme de ficção científica”, como contou à revista MIT Technology Review.

O embrião que deu origem a Thaddeus havia sido formado em 1994, quando Linda Archerd, então casada, realizou um tratamento de fertilização in vitro (FIV). Na época, quatro embriões foram criados: um deles resultou no nascimento de sua filha, hoje com 30 anos, e os outros três permaneceram congelados por décadas.

Mesmo após o divórcio, Linda nunca quis descartar os embriões nem doá-los para pesquisa. Anos depois, encontrou uma agência cristã de adoção de embriões: a Nightlight Christian Adoptions, criadora do programa Snowflakes, que permite aos doadores escolherem o casal que receberá os embriões.

Foi assim que Lindsey e Tim se tornaram pais, sem intenção de “quebrar recordes”, mas apenas com o desejo simples de realizar o sonho de ter um filho.

O que esse caso representa

O nascimento de Thaddeus chama atenção porque mostra, de forma concreta, como os avanços na reprodução assistida podem atravessar gerações. O recorde anterior era de gêmeos nascidos em 2022 a partir de embriões congelados em 1992.

Essa possibilidade abre caminhos importantes:

  • Casais podem adiar a gestação com mais segurança, sem perder o material biológico de qualidade;
  • Pacientes com doenças graves, como câncer, podem preservar embriões antes de tratamentos que afetam a fertilidade.
  • Adoção de embriões torna-se uma alternativa real para famílias que enfrentam dificuldades para gerar filhos com seus próprios gametas.

Vamos conversar sobre algumas questões levantadas pelo caso?

O que é o congelamento de embriões?

De forma simples, o congelamento de embriões é uma técnica usada em tratamentos de fertilização in vitro (FIV). O processo ocorre em algumas etapas:

  1. Estimulação ovariana – a mulher recebe medicações hormonais que estimulam os ovários a produzirem vários óvulos no mesmo ciclo;
  2. Coleta dos óvulos – os óvulos são retirados por punção, em procedimento rápido realizado em centro cirúrgico com anestesia leve;
  3. Fertilização em laboratório – os óvulos são fertilizados com espermatozoides, dando origem a embriões;
  4. Congelamento (vitrificação) – os embriões que não serão transferidos imediatamente para o útero podem ser preservados em tanques de nitrogênio líquido a -196ºC.

Quando o casal decidir, os embriões podem ser descongelados e transferidos para o útero. Embriões excedentes podem ser doados.

Congelamento de óvulos x congelamento de embriões: qual a diferença?

Muitas vezes, os termos se confundem, mas é importante distinguir:

  • Congelamento de óvulos: a mulher preserva apenas seus óvulos, sem que haja fertilização. É uma estratégia comum para quem deseja postergar a maternidade ou precisa se submeter a tratamentos médicos;
  • Congelamento de embriões: já ocorre a fertilização em laboratório, e o que é preservado são embriões prontos para futura transferência.

Ambos os métodos usam a técnica de vitrificação, que congela o material de forma rápida, evitando danos celulares.

Por que casais optam pelo congelamento de embriões?

As motivações são variadas, mas geralmente incluem:

  • Maior tranquilidade no planejamento familiar – casais que desejam adiar a gestação podem criar e preservar embriões para o futuro;
  • Segurança após um ciclo de FIV – muitas vezes, são produzidos mais embriões do que o necessário para a primeira transferência. Os excedentes são congelados para tentativas futuras;
  • Indicações médicas – como em casos de câncer, endometriose grave ou risco de falência ovariana precoce;
  • Casais homoafetivos ou maternidade solo – quando já existe decisão sobre o doador de sêmen, o congelamento de embriões pode ser um passo estratégico.

Questões éticas e emocionais

O congelamento de embriões também traz desafios além da medicina.

  • Destino dos embriões excedentes – o que fazer com aqueles que não serão usados? As opções incluem doação a outros casais, doação para pesquisa científica ou descarte, todas decisões que envolvem aspectos emocionais e éticos profundos;
  • Direitos em casos de separação – quem decide o destino dos embriões se o casal se divorciar?
  • Questões culturais e religiosas – diferentes crenças atribuem significados distintos ao embrião.

No caso de Linda Archerd, a decisão de preservar os embriões por mais de 30 anos foi uma escolha consciente, ligada ao desejo de que eles tivessem um destino respeitoso e significativo.

O cenário no Brasil

No Brasil, o congelamento de embriões já é uma prática consolidada em clínicas de reprodução assistida.

A Resolução nº 2.336/2023 do Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamenta o procedimento, determinando, por exemplo:

  • Não há prazo máximo para o armazenamento de embriões;
  • O destino dos embriões deve ser definido previamente pelos pacientes em contrato;
  • É permitido doar embriões para outros casais, sempre com consentimento formal.

Nos últimos anos, o número de procedimentos vem crescendo, refletindo maior acesso, avanços tecnológicos e mudanças culturais: cada vez mais casais planejam a maternidade e a paternidade com a ajuda da ciência.

O papel da Dra. Paula Marin

A Dra. Paula Marin é especialista em Reprodução Humana Assistida  e atua com foco em tratamentos como fertilização in vitro, congelamento de óvulos e embriões.

Sua prática clínica é guiada por três pilares:

  • Capacidade técnica – uso das mais recentes evidências científicas para orientar pacientes;
  • Cuidado – atendimento acolhedor, empático e humanizado;
  • Clareza – explicações simples, sem excesso de termos técnicos, para que cada paciente entenda suas opções.

Mais do que realizar procedimentos, a Dra. Paula Marin acredita que a reprodução assistida deve ser um instrumento de autonomia: cada mulher e cada casal têm o direito de decidir sobre seu futuro reprodutivo com segurança e tranquilidade.


O nascimento de Thaddeus, a partir de um embrião congelado por mais de três décadas, é um símbolo de como a ciência pode romper as barreiras do tempo.

O congelamento de embriões não é garantia de gravidez, mas representa uma ferramenta poderosa para famílias que desejam preservar suas chances de ter filhos no futuro.

Cada caso é único, e as decisões envolvem aspectos médicos, emocionais e éticos. Por isso, ter ao lado um especialista de confiança faz toda a diferença para transformar informação em escolha consciente.

Autor

  • Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

    CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

Dra. Paula Marin

Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621