Skip to main content

O avanço dos direitos das famílias homoafetivas, possibilitados principalmente pelo reconhecimento da união homoafetiva como família pelo Supremo Tribunal Federal (STF), levou ao aumento dos casamentos oficializados por casais homoafetivos femininos.

Essa conquista não só garantiu direitos patrimoniais e sucessórios, mas abriu portas para a realização do desejo de formar uma família, com filhos nascidos do amor e do planejamento.

A reprodução assistida para casais femininos é legal e regulamentada no Brasil, permitindo que mulheres que se amam possam viver a experiência da maternidade de forma plena e segura.

“O dilema da maternidade não envolve apenas mulheres heterossexuais. Mulheres que se relacionam com mulheres também têm dilemas sobre a maternidade. É preciso uma escuta atenta e carinhosa para evitar a exclusão dos casais homoafetivos femininos desse tema”.

Como aumentar a Família?

O primeiro passo é decidir qual das parceiras irá gestar. Essa decisão envolve o desejo pessoal e critérios de saúde reprodutiva, avaliados pelo especialista em Reprodução Humana Assistida.

A partir daí, dois caminhos são possíveis:

Uma das parceiras engravida com sêmen de doador, ou seja, apenas uma das parceiras contribui com óvulos e útero.

Várias possibilidades, dependendo do desejo do casal e da saúde reprodutiva:

  • A mesma parceira fornece o óvulo e gesta o embrião
  • Uma parceira doa o óvulo e a outra realiza a gestação (Gestação Compartilhada ou Método ROPA)

Independentemente da técnica escolhida, o segundo passo é selecionar o doador de espermatozoides por meio de um banco de sêmen.

Os bancos de sêmen parceiros serão acessados de forma on-line, e lá você poderá selecionar doadores com base em características como genética, aparência, histórico familiar e até hobbies. O objetivo é garantir não só a compatibilidade genética, mas também segurança e qualidade no processo. Para essa etapa, você já precisa selecionar se usará o sêmen para inseminação intrauterina ou FIV, pois as amostras são diferentes.

Você pode optar por sêmen de doadores brasileiros ou importar de bancos internacionais. A importação é legal e autorizada pela Anvisa, com trâmites rápidos e confiáveis.

Em consulta, conversamos bastante sobre os prós e contras de cada banco. De forma geral, os bancos internacionais oferecem uma maior quantidade de informações quanto ao doador, tais como características mais detalhadas (incluindo graduação, profissão, interesses) e testes genéticos mais aprofundados. Alguns bancos oferecem inclusive foto do doador quando criança. Os bancos brasileiros são mais restritos em relação a informações.

Após a chegada do sêmen na clínica, seguimos para o tratamento em si.

A inseminação intrauterina é rápida, dura cerca de 14 dias. A amostra de  sêmen de doador que você escolheu é colocada diretamente no útero no período mais fértil, perto da ovulação, após estimulação ovariana leve ou mesmo em ciclo sem estimulação.

Já, para a FIV, o processo é um pouco mais demorado, mas mesmo assim, é mais rápido do que a maior parte das pacientes pensam. A parceira que vai doar seus óvulos recebe hormônios para estimular seus ovários e assim obtemos diversos óvulos para serem fertilizados pelos espermatozoides do sêmen do doador. Os óvulos são fertilizados em laboratório, e podemos ter embriões para mais de uma transferência. Podemos realizar biópsia e testar os embriões para doenças cromossômicas. São cerca de 9-11 dias de estimulação ovariana até a aspiração dos óvulos, mais 5-6 dias desses embriões se desenvolvendo em laboratório. Tendo então esses embriÕes, podemos congelá-los e transferir assim que a receptora, a parceira que irá gestar, estiver pronta. Em geral, acompanhamos a ovulação dessa mulher e, 5 dias após ovulação, fazemos a transferência desse embrião.

Inseminação intrauterina (IIU)

Cerca de 20% de chance por ciclo.

É um tratamento de baixa complexidade e, portanto, de custo mais baixo, cerca de ¼ do valor da FIV. Você terá o custo da amostra de sêmen e do tratamento de IIU.

Fertilização In Vitro (FIV)

Até aproximadamente 50-60% de chance por ciclo, dependendo da idade e saúde da paciente. Se a parceira que doou os óvulos tiver menos de 35 anos, a chance de gravidez é alta, já que os óvulos terão boa qualidade.

Tratamento com custo mais elevado, por envolver várias etapas. Você terá o custo da amostra de sêmen e da FIV, e custos adicionais como teste genético nos embriões caso opte por realizar.

Muitas mulheres se perguntam se o bebê terá a genética de ambas as mães. Isso depende: a carga genética vem do óvulo e do sêmen. No entanto, estudos indicam que fatores epigenéticos durante a gestação podem influenciar o desenvolvimento do bebê, conferindo características da mãe gestante.

Dúvidas sobre Famílias LGBTQIAPN+

1. Um casal homoafetivo pode registrar o bebê?

Para o registro e a emissão da certidão de nascimento é necessário apresentar os seguintes documentos:

  • Declaração de Nascido Vivo (DNV), emitida pelo hospital;
  • Declaração da clínica em que foi realizada a reprodução assistida;
  • Certidão de casamento ou escritura da união estável do casal.

Só a partir de 2016 a emissão de certidão de nascimento de crianças concebidas por técnicas de reprodução assistida foi regulamentada pela Corregedoria Nacional de Justiça, por meio do provimento 52. No ano seguinte, algumas dificuldades enfrentadas pelas famílias homoafetivas foram sanadas pelo provimento 63, vigente até hoje.

2. É possível ter duas mães na certidão de nascimento?

Primeiro é importante dizer que não há nada de errado em ter dois pais ou duas mães, o que deve prevalecer é sempre o afeto, o respeito, a proteção e o cuidado que caracterizam uma família. Depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) assegura esse direito às famílias, permitindo que o(a) filho(a) tenha mais de um pai ou mãe, desde que fiquem comprovados laços afetivos. O reconhecimento de pais socioafetivos consagra o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. E por fim, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o reconhecimento de mãe ou pai socioafetivo pode ser feito no cartório, sem ação judicial para reconhecimento da multiparentalidade. Lembrando que o CNJ só autorizou o reconhecimento de até duas mães ou de dois pais. Um trisal, por exemplo, teria que pleitear na justiça o direito de registrar o bebê com o nome de três pais ou três mães.

3. Como é o pré-natal do casal homoafetivo feminino?

Os cuidados de pré-natal para casais homoafetivos femininos cisgêneros são cuidados habituais, podendo ter gravidez de alto risco ou não dependendo das características da mulher que engravidou. A forma do parto também vai depender do curso do pré-natal. Importante dizer que nos casos em que o Método Ropa foi empregado, temos “duas gestantes”. É possível inclusive estimular a amamentação na parceira não gestante para que as duas amamentem no pós-parto. Muitas vezes, as parceiras não gestantes não são reconhecidas como mães e sim como “apoio à mãe gestante”. Ou seja, encontram barreiras na sua jornada como paciente. O especialista em reprodução humana assistida tem de estar preparado para acolher verdadeiramente essas famílias da melhor maneira possível.

4. Posso solicitar que um amigo seja o doador do sêmen que fecundará os óvulos?

Um conhecido não pode desempenhar o papel de doador, mesmo que um amigo ou um parente, afinal, no Brasil tal prática não é permitida. O casal feminino precisa selecionar um doador no banco de sêmen, nacional ou internacional. Os bancos brasileiros dispõem de algumas informações como biótipo, peso, altura e hobbies do doador. O ato de doar sêmen é voluntário, sendo assim, não há lucros para o doador, da mesma forma que também não há custos no processo para o voluntário. O anonimato do doador é uma determinação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) junto ao Conselho Federal de Medicina. Além disso, é garantido que as crianças geradas com o sêmen doado não terão suas identidades reveladas ao doador.

5. Quem pode doar sêmen no Brasil?

Para doar sêmen é preciso estar dentro de requisitos como o de faixa etária (ter idade entre 18 e 45 anos) e o de saudabilidade (o doador deve ser saudável e não pode ter doenças genéticas ou congênitas na família).

Como eu posso te ajudar?

No meu consultório, mulheres LGBTQIAPN+ podem expressar seu desejo de aumentar a família, encontrando acolhimento, respeito e soluções personalizadas para realizar esse sonho. Vamos planejar juntas essa jornada?

Agende uma consulta