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Receber o diagnóstico de baixa reserva ovariana pode ser desanimador.

“Mas engravidar nessa condição é possível, e você não precisa abrir mão do seu sonho de ser mãe.”

Mas engravidar nessa condição é possível, e você não precisa abrir mão do seu sonho de ser mãe.

Com um plano terapêutico personalizado, posso ajudar você a preservar sua fertilidade e aumentar suas chances de ter seu bebê no futuro, utilizando o congelamento de óvulos e, no momento certo, a fertilização in vitro (FIV) se ela for necessária.

Há tratamentos disponíveis, e estou aqui para guiá-la nesse caminho com cuidado e atenção.

Mas antes de falar sobre o que é a baixa reserva ovariana, vamos entender primeiro  sobre o conceito de reserva ovariana?

O que é a Reserva Ovariana?

Um dos conceitos mais importantes para entender a fertilidade da mulher é o da reserva ovariana. Nós mulheres já nascemos com todos os óvulos que vamos ter ao longo da vida. Um estoque que vai sendo usado até o esgotamento, quando se dá a menopausa.

Mas além do aspecto quantitativo da reserva ovariana, temos também que levar em consideração o outro componente da reserva ovariana, o qualitativo.

Após os 35 anos, a qualidade dos óvulos começa a declinar progressivamente, piorando bastante após os 40 anos.

Qualidade do óvulo é a capacidade que esse óvulo tem de formar um embrião cromossomicamente (geneticamente) normal. Conforme avançamos após os 35 anos, mais e mais embriões cromossomicamente alterados vão sendo formados, resultando em um declínio da fertilidade.

A reserva ovariana, portanto, reflete o potencial reprodutivo dos ovários de uma mulher, considerando a quantidade e a qualidade de seus óvulos.

A avaliação da reserva ovariana…

Quando falamos da avaliação da reserva ovariana, estamos nos referindo fundamentalmente ao componente quantitativo dessa reserva. Não há nenhum marcador, nenhum exame capaz de avaliar a qualidade desses óvulos, portanto, o que avaliamos pelos exames diz respeito apenas à quantidade daquele estoque que ainda nos resta nos ovários.

E para essa estimativa do componente quantitativo da reserva ovariana, três testes são mais importantes:

  • Exame mais utilizado para avaliar a reserva ovariana
  • Dosado no sangue em qualquer dia do ciclo
  • Níveis mais altos indicam uma maior quantidade de folículos nos ovários
  • Possui pouca variabilidade entre ciclos
  • Ultrassonografia transvaginal em que contamos o número de folículos antrais na onda folicular
  • Quanto maior o número de folículos, maior a reserva
  • Muito usado por nós médicos da reprodução assistida
  • Dosado no sangue nos primeiros cinco dias do ciclo menstrual (fase folicular inicial)
  • Altos níveis de FSH (acima de 10-14 UI/L) podem indicar uma reserva ovariana reduzida
  • Possui limitações: grande variabilidade intraciclo e entre ciclos menstruais, e necessita ser dosado sempre junto ao estradiol

O AMH e a CFA são atualmente as melhores ferramentas para avaliação da reserva ovariana (lembrando, do componente quantitativo).

O que é a Baixa Reserva Ovariana?

Como já contei aqui para você, nós nascemos com um estoque de óvulos que vai sendo usado ao longo da vida. Algumas mulheres chegam em um nível de estoque muito baixo antes do esperado, configurando assim a baixa reserva ovariana.

É normal que esse estoque vá se esgotando e a reserva vá ficando baixa, especialmente após os 40 anos. Mas e se eu, com 33 anos, já estiver com a reserva baixa? Por que isso está acontecendo? Quais são as causas da baixa reserva ovariana?

Muito provavelmente, você já nasceu com uma quantidade de óvulos menor ou você teve um gasto desse estoque maior ao longo da vida.

O envelhecimento é a principal causa da baixa reserva ovariana. Se você nasceu com um estoque menor, com o passar dos anos e antes do esperado, a baixa reserva ovariana aparecerá. Fatores genéticos estão envolvidos na reserva ovariana. Mulheres cujas mães tiveram menopausa precoce têm maior risco de apresentarem esse esgotamento da reserva antes também.

Outras doenças genéticas também podem estar envolvidas como Síndrome de Turner, Síndrome do X frágil. Há trabalhos mostrando que até a nutrição recebida quando você era um bebê dentro do útero da sua mãe pode influenciar nessa reserva.

Mas essa diminuição da reserva também pode acontecer por outros fatores que foram acontecendo ao longo da vida. Tabagismo, exposição a poluentes/ agentes químicos tóxicos do ambiente, tratamentos como quimioterapia ou radioterapia, doenças autoimunes, cirurgia nos ovários, endometriose (em especial com endometrioma) são fatores que podem impactar na reserva, levando à sua diminuição.

Mas vale lembrar que, em boa parte das vezes, não conseguimos identificar a causa da baixa reserva ovariana.

Como fazer o diagnóstico da Baixa reserva Ovariana?

Valores abaixo de 1,0 ng/mL podem indicar uma reserva ovariana reduzida.

Baixa contagem de folículos, menos de 5-7 folículos antrais (dependendo da idade) pode ser indicativo de baixa reserva ovariana.

Exame menos usado pois tem grande variabilidade; altos níveis de FSH, acima de 10-12 UI/L) podem ser um sinal de baixa reserva ovariana.

Baixa Reserva Ovariana e Dificuldade Para Engravidar

Quando dizemos que a paciente tem baixa reserva ovariana, como eu já expliquei aqui em detalhes, nos baseamos em exames que avaliam o componente quantitativo dessa reserva, ou seja, a quantidade que ainda resta de óvulos. Portanto, não avaliamos a qualidade desse óvulo.

A sua chance de engravidar vai depender da qualidade desse óvulo, e essa qualidade é reflexo da idade da mulher. Novamente, a partir dos 35 anos a qualidade dos óvulos começa a declinar, e com isso a fertilidade cai, as chances de engravidar vão sendo reduzidas progressivamente a partir dessa idade.

Já vi muito no consultório mulheres chegando desesperadas pois  receberam um diagnóstico de AMH baixo, baixa reserva ovariana, e receberam a informação de que deveriam tentar engravidar, agora, pois provavelmente teriam dificuldade para engravidar no futuro.

Sim, se a mulher for mais velha, tiver seus 40 anos, ela pode ter dificuldade para engravidar, mas não vai ser por causa do AMH, mas sim por causa da idade dela.

Agora, se a mulher for jovem, até seus 35 anos, a dificuldade não vai existir, pois a qualidade do óvulo está mantida.

Uma mulher de 33 anos com um AMH de 3,0ng/ml e outra com um AMH de 0,87ng/ml vão ovular quantos óvulos por mês? Um apenas! As duas irão ovular apenas um, ou seja, as duas terão a mesma chance de engravidar.

A idade é o preditor mais importante da qualidade do óvulo e da chance gravidez, independente da avaliação da reserva ovariana!

Agora, se você precisar de uma Fertilização in vitro (FIV) para engravidar, suas chances podem ser mais baixas, pois você terá menos óvulos por ciclo de tratamento. Você vai entender melhor mais para frente. Continua aqui comigo, que eu explicarei em detalhes.

Baixa Reserva Ovariana X Menopausa Precoce

Essa é uma confusão muito comum entre as pacientes e muitas vezes até mesmo no meio médico. Vou aqui trazer clareza para os termos que você pode ouvir relacionados a essa diminuição de reserva ovariana.

A baixa reserva ovariana é uma diminuição da reserva ovariana, que vai continuar decaindo ao longo do tempo e pode ou não resultar em uma Falência Ovariana Prematura (FOP) ou mesmo menopausa precoce.

Está confuso? Vou explicar melhor o que cada termo significa.

A Falência Ovariana Prematura (FOP) ou Insuficiência Ovariana Prematura (IOP) é um diagnóstico que se dá quando já temos uma perda da função ovariana evidenciada por ciclos menstruais irregulares associados a um exame de FSH > 25UI/L.
Já a menopausa precoce é o termo usado quando a última menstruação da mulher acontece entre os 40-45 anos. Ou seja, a Falência Ovariana Prematura é uma etapa antes da menopausa precoce.
Mas, se você foi diagnosticada com Baixa Reserva Ovariana, não se desespere! Algumas pacientes com baixa reserva ovariana podem passar anos e anos com uma reserva diminuída, tendo a menopausa bem depois dos 40 anos.

Infelizmente, não conseguimos predizer quando será a menopausa da mulher diante apenas dos valores de AMH.

“A reserva ovariana diminuída não apresenta sintomas na maioria das mulheres. Algumas podem observar um ciclo menstrual encurtado, de 28 a 25 dias. Mas, na maioria dos casos, as mulheres descobrem que têm o problema após exames específicos. Isso inclui ultrassonografia transvaginal e avaliações hormonais para hormônio folículo estimulante (FSH), estradiol (uma forma de estrogênio) e hormônio antimülleriano (AMH)”.

Tratando a Baixa Reserva Ovariana

Nenhum tratamento pode retardar o envelhecimento ovariano e realmente prevenir a diminuição da reserva ovariana. No entanto, as mulheres com baixa reserva ovariana  que desejam engravidar têm opções terapêuticas respaldadas nas tecnologias de reprodução assistida.

As opções vão depender da sua vontade de engravidar agora ou apenas no futuro.

Você pode contar com os seguintes tratamentos:

Quando uma mulher é diagnosticada com reserva ovariana diminuída, ela pode tomar uma atitude imediata e fazer a preservação da fertilidade. A preservação da fertilidade envolve congelar os óvulos para uso posterior.

A FIV é a opção de tratamento mais indicada  para aquela mulher que quer engravidar agora, mas está com baixa reserva ovariana e dificuldade para engravidar. A taxa de sucesso vai depender da idade da mulher e da reserva ovariana que ela ainda tem.

A ovodoação é uma alternativa que ajuda mulheres a realizarem o sonho da gravidez através da recepção de óvulos jovens de outra paciente. É uma opção no caso de mulheres com baixa reserva ovariana causada por idade avançada, falência ovariana precoce, tratamentos oncológicos e doenças genéticas. A mulher não tem mais óvulos próprios para engravidar e vai, portanto, usar óvulos de doadoras.

Congelamento de óvulos e baixa reserva

O congelamento de óvulos é um procedimento médico seguro e uma importante ferramenta para a mulher que tem uma baixa reserva ovariana mas que quer aumentar suas chances de engravidar no futuro.  Observe a  minha timeline sobre o procedimento:

A primeira etapa do congelamento de óvulos começa nos primeiros dias após o início do ciclo menstrual ou alguns dias após a ovulação. Nesta fase, você usará hormônios que estimulam seus ovários a desenvolverem múltiplos folículos, diferentemente do processo natural, em que apenas um folículo cresce por mês.

Os medicamentos utilizados são aplicados por via subcutânea, com agulhas finas semelhantes às usadas para insulina, e, após as orientações na clínica, você poderá aplicá-los em casa. Além disso, outros medicamentos serão usados para impedir a ovulação antes do momento ideal.

Durante o estímulo, monitoramos o crescimento dos folículos por meio de 2 a 3 ultrassonografias transvaginais. Quando os folículos atingem o tamanho adequado (após cerca de 10 a 12 dias), aplicamos um último medicamento (o chamado trigger shot) para a maturação final dos óvulos e agendamos a próxima etapa: a aspiração folicular.

A aspiração folicular é realizada em um centro cirúrgico, com sedação leve, para que você fique confortável durante o procedimento.

Utilizando um ultrassom transvaginal, guiamos uma agulha fina até os ovários para aspirar os folículos um a um. O líquido retirado é imediatamente analisado pelo embriologista, que verifica quantos óvulos foram recuperados.

Esse processo é rápido, durando cerca de 20 minutos, e você poderá retornar para casa no mesmo dia.

Após a coleta, os óvulos passam por um preparo cuidadoso no laboratório, onde são congelados por meio da técnica de vitrificação, um método de congelamento ultrarrápido que garante a preservação de sua qualidade.

Os óvulos são armazenados em palhetas individuais, identificadas, e mantidos em tanques de nitrogênio líquido. Eles podem permanecer congelados por anos, até que você decida formar sua família.

Congelamento de óvulos na baixa reserva ovariana

Se você foi diagnosticada com baixa reserva ovariana e não quer ou não pode engravidar agora, informe-se com atenção sobre o congelamento de óvulos.

São tantas as possibilidades no futuro…

  • pode ser que a menopausa se antecipe
  • pode ser que você queira ter filhos quando não mais tiver óvulos de qualidade
  • pode ser que você consiga ter o primeiro filho, mas fique tarde para o segundo
  • pode ser que você, lá na frente, tenha dificuldade para engravidar e precise de FIV, e nesse momento a quantidade de óvulos já vai estar bem mais limitada e dificultar o sucesso na FIV

O congelamento de óvulos tem seu valor exatamente nessas circunstâncias. É um tratamento que vai aumentar as suas chances de engravidar no futuro.

Você não vai ficar observando passivamente sua reserva ovariana decair progressivamente? Ou você vai tomar uma atitude, tirar esse peso das costas, e garantir maiores chances de ter seu filho no futuro?

Desafios do tratamento

É preciso dizer que você pode enfrentar alguns desafios na jornada do congelamento por ter uma baixa reserva ovariana.

Quando nós estimulamos os ovários com as medicações, os folículos que crescem estão em um número reduzido, ou seja, você terá menos óvulos em cada ciclo de estimulação.

Quando você estiver em consulta comigo, iremos conversar sobre sua reserva ovariana e sobre o tratamento, incluindo protocolo a ser utilizado, chances de sucesso no futuro e meta de número de óvulos a serem congelados. De acordo com sua idade, iremos definir um número de óvulos que vai deixá-la confortável para tentar a gestação no futuro.

  • Múltiplos ciclos: dependendo do grau de depleção da sua reserva, vamos conseguir obter esse número de óvulos determinado, se fizermos mais de um ciclo de estímulo;
  • Protocolos customizados para você: vou adotar protocolos que possam otimizar a resposta e o número de óvulos em cada ciclo. Temos um grande arsenal para tentarmos obter um melhor resultado (DHEA, testosterona, clomifeno, letrozol, GH, diferentes classes de medicamentos para estimulação ovariana, dual trigger, protocolo duostim).

O Protocolo Duostim

Para mulheres com baixa reserva ovariana, maximizar as chances de sucesso em cada ciclo é essencial. Nesse contexto, o Protocolo Duostim tem se mostrado uma estratégia eficaz.

Esse protocolo envolve duas estimulações ovarianas em um único ciclo menstrual:

  1. Fase Folicular: a primeira estimulação começa no início do ciclo menstrual, seguida pela coleta de óvulos após cerca de 12 a 14 dias
  2. Fase Lútea: cerca de 5 dias após a primeira aspiração, inicia-se uma segunda estimulação, culminando em uma nova coleta de óvulos após mais 12 a 14 dias

Assim, em um único ciclo, é possível realizar duas coletas de óvulos, o que aumenta significativamente as chances de sucesso. Essa abordagem é ideal para pacientes com baixa reserva ovariana que precisam de um número maior de óvulos para um planejamento eficaz de congelamento.

Baixa Reserva Ovariana x Óvulos de Baixa Qualidade

É importante dizer novamente: baixa reserva ovariana não significa, necessariamente, ter óvulos de baixa qualidade.

A qualidade dos óvulos está diretamente ligada à idade da mulher. Quanto mais jovem você for ao realizar o congelamento, maiores serão as chances de os óvulos resultarem em embriões saudáveis e, futuramente, em um bebê.

Mesmo com um hormônio antimülleriano (AMH) muito baixo, é possível ter óvulos de boa qualidade. Por isso, é fundamental buscar orientação médica especializada o quanto antes, para aproveitar ao máximo o seu potencial reprodutivo.

Dúvidas sobre Congelamento de Óvulos

1. Preciso começar as medicações para estímulo dos ovários nos primeiros dias da menstruação?

O estímulo ovariano pode começar no início do ciclo menstrual, quando os folículos estão menores, ou após a ovulação, durante a segunda onda folicular. Em casos de urgência, como pacientes oncológicas, o tratamento pode ser iniciado em qualquer dia do ciclo com bons resultados. Porém, quando possível, o início durante o fluxo menstrual é preferido por ser mais fácil de programar.

2. Existe algum risco para os bebês nascidos de óvulos congelados?

Até agora, estudos indicam que não há aumento de riscos para bebês nascidos de óvulos congelados em comparação aos de óvulos frescos. No entanto, mais pesquisas são necessárias para compreender melhor esse aspecto.

3. Congelei meus óvulos e agora tenho um parceiro e quero engravidar. Usar meus óvulos congelados ou tentar engravidar naturalmente: qual a melhor opção?

A decisão depende da sua idade e da sua ansiedade em esperar. Se você tem menos de 38-40 anos, tentar naturalmente pode ser uma boa escolha, já que os óvulos ainda têm boa qualidade. Acima dessa idade, usar os óvulos congelados pode ser mais seguro para reduzir o risco de problemas genéticos no embrião.

4. Quando eu quiser engravidar, como os óvulos congelados serão usados?

Os óvulos serão descongelados (com taxa de sobrevivência de 90%) e fertilizados com espermatozoides do parceiro ou doador. Os embriões formados são transferidos para o útero em ciclo natural (acompanhando a ovulação) ou FIV.

5. Onde meus óvulos ficarão armazenados?

Os óvulos congelados são armazenados no laboratório de embriologia onde foram coletados. Eles são preservados em palhetas dentro de tanques de nitrogênio, onde podem permanecer por tempo indeterminado.

Como eu posso te ajudar?

Receber o diagnóstico de baixa reserva ovariana não significa o fim do sonho de formar uma família. Ainda é possível congelar seus óvulos e ter filhos no futuro. Cada caso é único, e o primeiro passo para entender as suas possibilidades é agendar uma consulta. Juntas, podemos traçar o melhor plano para o seu desejo de ser mãe, de forma personalizada e com todo o suporte necessário.

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