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O congelamento de óvulos é uma técnica  empregada na reprodução humana assistida que permite congelar seus óvulos AGORA para engravidar no FUTURO, com a qualidade que eles têm hoje, oferecendo chances de gravidez equiparáveis com as que você tem neste momento.

O processo envolve a coleta, o congelamento e o armazenamento dos óvulos em uma idade em que eles estão em melhor qualidade. No futuro, quando você decidir engravidar, esses óvulos podem ser descongelados, fertilizados e implantados no útero por meio da fertilização in vitro (FIV).

Com essa técnica, você pode aliviar a pressão de precisar ter filhos antes de se sentir pronta, seja pela busca de um parceiro, pela carreira ou por outros fatores. É como “pausar o relógio biológico”, preservando as chances de uma gravidez saudável.

Desde 2013, quando a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) retirou o rótulo de procedimento experimental do congelamento de óvulos, as mulheres têm contado com essa ferramenta para planejar suas vidas com mais segurança.

Quais são os principais motivos para você congelar seus óvulos?

Aumento das suas chances de gravidez no futuro

O tratamento não traz garantia de bebê no futuro, mas aumenta sua chance de ter seu filho lá na frente, quando decidir que é o momento ideal e seus óvulos já tiverem qualidade comprometida ou você não mais tiver óvulos. Você engravidará aos 45 anos usando seus óvulos congelados aos 33 anos, com a chance de gravidez dos 33 anos.

Liberdade de escolha

Você pode não querer ou não poder ter filhos agora por motivos pessoais, carreira, estudos, falta de parceiro, não se sentir preparada emocional e/ou financeiramente, ou mesmo porque você não tem esse desejo agora da maternidade, e o congelamento pode ser seu aliado no momento em que esse momento de ter filhos chegar, se ele chegar.

Não fechar as portas no futuro

HOJE, você até pode não querer ou não poder ter filhos, mas e no FUTURO? Como saber o que vai acontecer com suas vontades e sua realidade de vida lá na frente. Nossa vida é muita dinâmica. Você vai deixar essa porta se fechar mesmo sabendo que há hoje em dia recursos para mantê-la aberta?

Tranquilidade – Congelar traz alívio, tira aquele peso das costas

Ao congelar seus óvulos, você escolhe não observar passivamente a sua reserva ovariana se esgotar, você toma uma posição em relação ao seu relógio biológico, e você pode seguir sua vida sem tanta pressão para encontrar um parceiro, acelerar o andamento do relacionamento, seguir com dedicação a carreira e estudos. Muitas vezes, esse é o maior benefício que o congelamento de óvulos pode trazer.

“Não ter filhos deve ser uma opção da mulher, e não uma falta de opção!”

O “Relógio Biológico Feminino”

Para entender o porquê de congelar seus óvulos, você terá que conhecer um dos conceitos mais importantes da biologia feminina: a reserva ovariana.

Você já nasceu com todos os óvulos que vai ter ao longo da sua vida. Esse é um estoque que só vai sendo usado até seu esgotamento, quando se dá a menopausa.

Da década de 70 temos já estudos que nos mostravam que uma mulher nasce com cerca de 1 a 2 milhões de óvulos. Na idade da menarca, a primeira menstruação, essa reserva já caiu para cerca de 400-500 mil, ou seja, mais da metade desse estoque já se foi sem nem mesmo a mulher ter tido a oportunidade de engravidar.

Estudos mais recentes nos mostram melhor como funciona essa dinâmica. A variação do número de óvulos com os quais nós nascemos é grande, o que faz com que seja também grande a variação da idade da menopausa. Se eu nasci com menos óvulos, posso ter esse esgotamento antes da média dos 50 anos. Mas o declínio é constante e progressivo.

Esse estoque vai sendo continuamente gasto, restando cerca de 12% dessa reserva aos 30 anos, 5% aos 35 anos, e apenas 3%  aos 40 anos. No seu esgotamento temos a menopausa, em geral ao redor dos 50 anos.

Mas aí trago uma informação importantíssima:

Não é só uma questão de quantidade, mas também de qualidade!

A qualidade dos óvulos também cai à medida que nós mulheres envelhecemos, e esse declínio começa a partir dos 35 anos e vai progressivamente se intensificando, ao passo que, após os 40 anos, temos uma qualidade de óvulos já bastante comprometida.

Qualidade de óvulo diz respeito à capacidade que esse óvulo tem de formar embrião cromossomicamente (geneticamente) normal. Óvulos com baixa qualidade possuem baixa capacidade de gerar bons embriões, o que diminui a capacidade de engravidar e aumenta o risco de abortamento.

Como consequência dessa perda de qualidade dos óvulos, a fertilidade da mulher declina com a idade. Possuímos um relógio biológico que fica em contagem regressiva mostrando que uma hora a reserva ovariana vai acabar. E precisamos estar cientes disso ao optar por postergar a maternidade, para não nos arrependermos no futuro de não termos agido antes.

Precisamos estar cientes de que:

  • A nossa reserva ovariana vai decaindo quantitativa e qualitativamente
  • Que as chances de gravidez vão sendo menores com o passar dos anos, principalmente após os 35 anos
  • Que poderemos precisar de ajuda médica para engravidar
  • Que as técnicas de reprodução assistida não são capazes de resolver todos os casos de infertilidade no futuro

A Avaliação da Reserva Ovariana

A avaliação da reserva ovariana é fundamental quando o assunto é planejamento reprodutivo da mulher que deseja postergar a maternidade. Por isso é tão importante a realização do Check-up da Fertilidade.

Não há nenhum exame ou marcador disponível para avaliar a qualidade do óvulo. Inferimos a qualidade do óvulo pela sua idade. No entanto, há sim marcadores do aspecto quantitativo da reserva ovariana, que vão nos mostrar quanto ainda nos resta do nosso estoque de óvulos.

Atualmente, temos duas principais ferramentas para avaliação da reserva ovariana do ponto de vista quantitativo: contagem de folículos antrais e hormônio antimulleriano.

A contagem de folículos antrais é uma ultrassonografia em que se avalia o número de folículos pequenos, folículos antrais, nos ovários, que são os folículos que começam a onda folicular daquele ciclo e que crescem na estimulação ovariana. Geralmente, essa contagem é feita nos primeiros cinco dias do fluxo menstrual.

O hormônio antimulleriano (HAM ou AMH) é um exame de sangue, a segunda ferramenta de grande valor para que possamos avaliar a reserva ovariana. Ele pode ser coletado em qualquer momento do ciclo menstrual, a qualquer hora do dia.

Existe idade ideal para congelar seus óvulos?

Costumamos recomendar o congelamento antes dos 35 anos, tendo em vista que a qualidade dos óvulos até essa idade sofre pouca queda.

De forma prática e sendo mais específica:

Se você tiver passado dos 30, indo para os 35 anos, sem perspectiva de gravidez nos próximos um ou dois anos, o congelamento pode ser para você;

Se você tiver perto dos 30 anos com uma reserva ovariana mais baixa, sendo essa reserva avaliada por um hormônio chamado antimulleriano (AMH), que pode estar perto ou abaixo do valor de 1 ng/ml, sem perspectiva de filhos nos próximos um ou dois anos, o congelamento pode ser para você.

E se você tiver passado dos 35 anos, desiste, não pode fazer?

Você ainda pode fazer sim! Sabendo que esses óvulos podem ter uma qualidade inferior.

Dos 35 até os 37 anos, o tratamento apresenta ótimos resultados, pois há pouca queda na qualidade dos óvulos. Na verdade, os estudos mostram que essa é a faixa etária que mais se beneficia do congelamento, pois essas mulheres têm maiores chances de realmente usarem esses óvulos no futuro;

Dos 38 aos 40 anos, o tratamento ainda pode trazer bons resultados, mas você provavelmente enfrentará um pouco mais de dificuldades. Você terá que coletar mais óvulos, fazer mais ciclos de tratamento para compensar a pior qualidade dos óvulos;

Após 40 anos, o congelamento ainda é possível, mas passa a ser um pouco mais complicado, pois você vai ter um grande comprometimento da qualidade e da quantidade da sua reserva ovariana. Cada caso deve ser avaliado de forma bastante individualizada para avaliarmos a viabilidade do tratamento.

E vale lembrar que se você tiver algum fator de risco para um esgotamento mais precoce da sua reserva (antecedente familiar – mãe, irmã com menopausa precoce), cirurgias prévias nos ovários, como retirada de endometriomas ou outros cistos/tumores, realização de quimioterapia prévia, atenção à sua reserva ovariana. Talvez o congelamento de óvulos possa ser antecipado.

O Passo a Passo do Congelamento

A primeira etapa do tratamento de congelamento de óvulos é a estimulação ovariana, que se inicia geralmente nos primeiros quatro dias depois do fluxo menstrual ou quatro, cinco dias após a ovulação. Você vai usar hormônios que estimulam seus ovários para que eles desenvolvam múltiplos folículos, diferente do que acontece todo mês, quando apenas um cresce.

A estimulação ovariana é feita por meio de medicamentos subcutâneos aplicados diariamente, associados ou não a medicamentos por via oral. Há diferentes protocolos na literatura. O seu será escolhido de forma individualizada para você.

Nessa fase, usamos os medicamentos que fazem o crescimento dos folículos, o estímulo propriamente dito, e outros que fazem o bloqueio da ovulação, ou seja, que impedem a ovulação.

As medicações subcutâneas são feitas por meio de uma agulha fina, a mesma usada para aplicar insulina, na região do abdômen, de forma praticamente indolor, e você pode fazer essas aplicações em casa, após orientações realizadas na clínica.

Vamos monitorando o crescimento desses folículos ovarianos por meio de ultrassonografias transvaginais (cerca de 2-3 ultrassonografias nesse período de estímulo). Quando eles atingem o tamanho ideal, o que geralmente ocorre após 10-12 dias de estímulo, administramos um último medicamento (trigger shot) para a maturação final dos óvulos e agendamos a aspiração folicular.

A aspiração folicular é um procedimento feito no centro cirúrgico do laboratório de embriologia, onde a paciente recebe uma sedação, uma anestesia geral leve. A aspiração trata-se de um procedimento relativamente simples. Dura, em média, 20 minutos.

Fazemos um ultrassom igual àquele realizado em consulta, mas acoplamos ao probe um guia e uma agulha, que vai perfurar o fundo de saco vaginal e chegar nos ovários.

Lá chegando, os folículos são aspirados um a um. Essa agulha é acoplada a um sistema de sucção e conforme o folículo é perfurado, o líquido intrafolicular é sugado e o óvulo é carregado junto com esse líquido.  Esse líquido vai sendo coletado em tubos e entregue ao embriologista, que vai ali mesmo contar e ver quantos óvulos foram recuperados, aspirados.

Após poucas horas, temos o congelamento de óvulos propriamente dito. Os embriologistas limpam as células ao redor dos óvulos e os congelam pela técnica de vitrificação, uma técnica de congelamento rápido.

Esses óvulos, que são congelados em palhetas individuais identificadas, são levados em tanques de nitrogênio líquido e lá podem permanecer por anos, até que você decida formar a sua família.

Riscos do Congelamento

São poucos os riscos do congelamento de óvulos, as taxas de complicações são muito baixas e os eventos adversos do tratamento geralmente são de baixo impacto e de curta duração.

Os sintomas mais comuns são aqueles relacionados à retenção hídrica: inchaço, distensão abdominal e aumento de peso. O desconforto em baixo ventre também pode aparecer se houver um aumento importante dos ovários. Além disso, alterações de humor e irritabilidade podem acontecer.

“Por que você deveria congelar seus óvulos? A resposta é curta. Para preservar suas opções no futuro. Você pode não estar pronta para ter um bebê agora (por causa de seus relacionamentos, saúde, carreira, finanças ou qualquer outro motivo), mas pode desejar ter filhos mais tarde”.

Dúvidas sobre Congelamento de Óvulos

1. Quantos óvulos devo congelar?

É muito difícil prever HOJE com precisão o número de óvulos a serem recuperados e o número de embriões viáveis que serão finalmente formados após o descongelamento, no FUTURO. A chance de ter bebê no futuro depende de dois fatores: o número de óvulos congelados e a idade em que o congelamento aconteceu.

Isso porque existe um funil da Reprodução Humana, que envolve perdas em todas as etapas do processo reprodutivo. Por exemplo, se você conseguiu congelar 10 óvulos, isso não significa que você irá ter 10 embriões ou 10 bebês, porque esses óvulos passarão pelo funil abaixo:

E as perdas nesse funil serão maiores quanto maior a sua idade.

Para nos ajudar no aconselhamento das pacientes, temos trabalhos na literatura médica baseados em modelos matemáticos que nos ajudam a chegar a alguns números:

  • Mulheres até 35 anos têm 80-85% de chance de ter um bebê se tiverem 12-15 óvulos congelados, uma boa meta;
  • Mulheres entre 35-37 anos, coletar entre 15-20 óvulos é uma boa meta, tendo cerca de 70-75% de chance de ter filhos no futuro;
  • Mulheres acima dos 37 anos, aconselho um número maior para congelar, cerca de 20 óvulos, uma vez que a qualidade desses óvulos vai diminuindo de forma significativa.

2. Quantos ciclos de congelamento precisarei fazer?

O número de ciclos que você vai realizar vai depender:

  • Da sua reserva ovariana – de quantos folículos você tiver nas suas ondas foliculares;
  • De quão segura você quer ficar com a chance de gravidez no futuro – da meta de óvulos que você vai querer estabelecer;
  • Do quão disposta financeira e emocionalmente você estará para fazer mais de um ciclo.

Quanto mais jovem você for, maior a chance de ter um bom número de óvulos com apenas um ciclo, já que sua reserva ovariana estará mais preservada do ponto de vista quantitativo. Pacientes abaixo de 35 anos têm boas chances de ter cerca de 15 óvulos com um ciclo. Acima dos 35 anos, se você quiser atingir 15-20 óvulos, há chances maiores de ter que fazer mais de um ciclo.

3. Congelamento é garantia de bebê no futuro?

Gosto de deixar claro que congelar não é garantia de gravidez no futuro, mas, muitas vezes, pode ser o melhor possível a ser feito agora, em que a gravidez realmente não é possível. O tratamento deve ser encarado com um plano B. É uma oportunidade de gerenciamento da fertilidade ao invés de esperar e observar passivamente a reserva ovariana declinar. É um procedimento que pode trazer alívio!

4. Preciso parar de tomar a pílula para congelar meus óvulos?

Sim, você precisará parar de tomar o anticoncepcional hormonal durante o período de estimulação ovariana. Geralmente pedimos que, se possível, esses anticoncepcionais sejam suspensos um ou dois meses antes da estimulação ovariana. Feita a aspiração, no ciclo seguinte, a anticoncepcional já pode ser retomado.

5. Preciso tirar o DIU para congelar meus óvulos?

Os DIUs podem permanecer no lugar onde estão durante todo o processo de congelamento dos óvulos. Isso vale para o DIU não hormonal (cobre/prata) e para o DIU hormonal (Mirena/Kyleena). E como a captação dos óvulos é feita por meio de uma agulha que atravessa a parede da vagina e atinge apenas os ovários, não há chance de o DIU atrapalhar. Mas e se você está com um DIU hormonal (Mirena) que te levou à amenorreia, ou seja, você não menstrua mais? Não tem problema algum. Fazemos acompanhamento com ultrassonografia transvaginal para contar os folículos e iniciar estímulo ovariano no momento oportuno, com uma corte de folículos homogênea e em bom número.

Como eu posso te ajudar?

Sempre digo às minhas pacientes no consultório e repito aqui: a indicação do congelamento de óvulos eletivo, social ou planejado é feita por você! O congelamento de óvulos é uma decisão pessoal e só você tem o profundo conhecimento das variáveis que vão impactar no seu processo decisório. Eu estou aqui para ouvi-la e orientá-la da melhor maneira para que tome sua decisão embasada! Agende sua consulta. Vamos falar sobre você e os seus desejos reprodutivos.

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