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Em junho de 2025, a Associação de Tênis Feminino (WTA) anunciou uma mudança histórica: as jogadoras que decidirem congelar óvulos ou embriões para preservar o sonho da maternidade terão o ranking protegido durante esse período.

Na prática, a tenista se afasta por no mínimo dez semanas para realizar os procedimentos e retorna com segurança à competição com um ranking protegido. “As atletas elegíveis receberão um Ranking de Entrada Especial (SER), que pode ser usado para entrar em até três torneios, com base na média de 12 semanas do seu Ranking WTA a partir de oito antes do início do período fora da competição,” explica o comunicado da Associação. Tenistas entre a 1ª e a 750ª posição no ranking de simples ou de duplas estão elegíveis para a pausa e a pontuação de reentrada em torneios.

A notícia ganhou o mundo, porque reforça algo que muitas mulheres já sentem na pele: a necessidade de conciliar carreira, projetos pessoais e o desejo de formar uma família. Esse movimento do esporte reflete uma realidade cada vez mais presente fora das quadras. Assim como as tenistas, muitas mulheres estão buscando alternativas para não precisar escolher entre sucesso profissional e maternidade. É aqui que entra o congelamento de óvulos, uma possibilidade que cresce ano a ano no Brasil.

A mulher no mercado de trabalho e o “relógio biológico”

Nos últimos 40 anos, a presença feminina no mercado de trabalho cresceu de forma consistente. Hoje, não é raro encontrar mulheres em cargos de liderança, empreendendo, conquistando espaço em áreas antes predominantemente masculinas.

Mas, ao mesmo tempo, a biologia reprodutiva continua impondo um limite: com o passar dos anos, a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem, tornando a gravidez naturalmente mais difícil após os 35 anos.

Essa tensão entre tempo biológico e tempo social gera dilemas comuns:

  • “E se eu não encontrar um parceiro no momento certo?”;
  • “E se minha carreira ainda exigir dedicação total?”;
  • “E se um tratamento de saúde impactar minha fertilidade?”.

Essas dúvidas têm levado cada vez mais mulheres a buscar no congelamento de óvulos uma forma de manter a autonomia sobre o seu futuro reprodutivo.

O crescimento do congelamento de óvulos no Brasil

O procedimento, que até poucos anos atrás era restrito a poucos centros médicos e tinha custo inacessível, vem se popularizando no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o número de ciclos de congelamento aumentou significativamente na última década, acompanhando tendências de países como Estados Unidos e Espanha.

Entre os principais fatores para esse crescimento estão:

  • Avanços na técnica de vitrificação (método moderno de congelamento que preserva melhor os óvulos);
  • Mulheres optando por postergar cada vez mais a maternidade;
  • Maior divulgação do tema na mídia, em novelas, séries e reportagens;
  • Decisões judiciais e políticas de empresas que oferecem o congelamento como benefício trabalhista;
  • O movimento cultural de valorização do planejamento reprodutivo.

Hoje, clínicas de reprodução em várias regiões do país já oferecem o serviço, tornando o acesso mais amplo.

Como funciona o congelamento de óvulos?

De forma simples, o congelamento de óvulos é um procedimento que permite armazenar os óvulos de uma mulher em idade fértil para uso futuro. O processo envolve algumas etapas:

  1. Estimulação ovariana – a paciente utiliza medicações hormonais por alguns dias para estimular a produção de múltiplos óvulos;
  2. Coleta dos óvulos – feita em centro cirúrgico, de forma rápida e com anestesia leve;
  3. Congelamento por vitrificação – técnica ultrarrápida que evita a formação de cristais de gelo, preservando a qualidade celular;
  4. Armazenamento – os óvulos ficam em tanques de nitrogênio líquido a -196ºC, podendo ser usados anos depois.

Quando a mulher decidir engravidar, os óvulos congelados podem ser descongelados, fertilizados em laboratório (fertilização in vitro) e transferidos para o útero.

Para quem o congelamento de óvulos é indicado?

O congelamento é um procedimento utilizado por mulheres que querem postergar a maternidade, seja por motivos profissionais, ausência de parceiro, desejo de usufruir da sua liberdade, sensação de não estar pronta emocional e/ou financeiramente para a maternidade.

Mas o congelamento de óvulos pode ser feito por outras razões que não apenas as sociais. Ele também é indicado em situações médicas específicas:

  • Mulheres que vão passar por tratamentos oncológicos (quimioterapia, radioterapia) que podem comprometer a fertilidade;
  • Pacientes com endometriose, que pode afetar a reserva ovariana;
  • Mulheres com histórico familiar de menopausa precoce;
  • Homens trans que desejam iniciar a hormonioterapia, mas querem preservar óvulos antes.

Em todos os casos, a decisão deve ser individualizada, considerando idade, histórico de saúde, reserva ovariana e planos de vida.

Aspectos emocionais e práticos

Apesar de ser um avanço médico, o congelamento de óvulos não elimina todas as dúvidas e ansiedades. Muitas mulheres se sentem divididas entre o desejo de ter mais liberdade para decidir e a pressão de tomar essa decisão “no tempo certo”.

Por isso, além da orientação técnica, é fundamental contar com um espaço de escuta acolhedor, onde seja possível esclarecer dúvidas, falar sobre expectativas e compreender que cada jornada reprodutiva é única.

Quem é a Dra. Paula Marin

A Dra. Paula Marin é médica especialista em Reprodução Humana Assistida. Sua trajetória foi construída em instituições de referência mundial, unindo ciência, acolhimento e clareza na comunicação.

Com atuação destacada no congelamento de óvulos, Dra. Paula Marin tem como propósito empoderar mulheres para que tomem decisões informadas e seguras sobre o futuro da maternidade. Sua prática clínica é pautada em três pilares:

  • Capacidade técnica – atualização constante com base nas melhores evidências científicas;
  • Cuidado – atendimento individualizado e empático em todas as etapas;
  • Clareza – informação acessível, sem termos técnicos desnecessários, para que cada paciente compreenda suas escolhas.

No consultório, cada mulher encontra um espaço para conversar sem julgamentos, planejar com tranquilidade e decidir com confiança.


O congelamento de óvulos não deve ser visto como uma “pressão a mais” sobre as mulheres, mas como uma ferramenta de autonomia. Ele não garante resultados futuros, mas amplia possibilidades no momento em que cada uma sentir que é a hora certa de viver a maternidade.

Seja você uma atleta profissional, uma executiva em ascensão ou alguém que simplesmente deseja mais tempo para decidir, o mais importante é ter acesso a informações claras e apoio médico de confiança.

Autor

  • Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

    CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

Dra. Paula Marin

Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621