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Você quer ser mãe.
Não “talvez”.

Não “se der”.
Você quer.

Mas o tempo passa, os relacionamentos não se consolidam e a pergunta começa a incomodar: “E se eu não encontrar alguém a tempo?”

Essa é a realidade de muitas mulheres hoje e é exatamente sobre isso que fala o livro “Maternidade Congelada”, da antropóloga Marcia C. Inhorn, professora da Universidade de Yale.

Ao longo de mais de 10 anos de pesquisa, entrevistando 150 mulheres que congelaram seus óvulos, Inhorn chegou a uma conclusão que desmonta um dos maiores mitos sobre o congelamento de óvulos: a maioria dessas mulheres não congelou óvulos por causa da carreira, mas por causa da falta de parceiros disponíveis para formar uma família.

O mito da “mulher que adiou tudo pela carreira”

Durante anos, o discurso dominante foi simples  e injusto: mulheres congelariam óvulos porque priorizaram estudos, trabalho e ambição profissional.

A pesquisa mostra outra coisa. Segundo Inhorn, 82% das mulheres que congelaram óvulos por escolha própria eram solteiras, muitas já na faixa dos 35 a 40 anos e profundamente desejosas da maternidade.

“Elas querem ser mães. O problema não é falta de desejo, é falta de tempo e de parceiros reprodutivos disponíveis”, diz Marcia C. Inhorn.

Ou seja: não é adiamento voluntário. É espera involuntária.

A chamada “lacuna de acasalamento”

Inhorn chama esse fenômeno de “lacuna de acasalamento”.

Em termos simples: nas grandes cidades e em diversos países, há mais mulheres com ensino superior do que homens com o mesmo nível de escolaridade.

Dados demográficos mostram que:

  • Mulheres avançaram mais rapidamente no ensino superior;
  • Homens abandonaram universidades em maior número;
  • Muitas mulheres desejam parceiros com valores, projetos e níveis educacionais semelhantes.

O resultado? Uma escassez de parceiros considerados compatíveis para mulheres que desejam relacionamento estável e filhos. Essa lacuna não é emocional. Ela é estrutural e demográfica.

O “abismo da fertilidade” e a sensação de urgência

Existe um ponto que pesa ainda mais nessa equação: o tempo biológico.

A fertilidade feminina começa a cair de forma mais significativa a partir dos 35–37 anos, o que a literatura chama de “abismo da fertilidade”.

As mulheres entrevistadas por Inhorn estavam exatamente aí:

  • Querendo ser mães;
  • Sem parceiros definidos;
  • Com o relógio biológico avançando.

É nesse cenário que o congelamento de óvulos aparece, não como solução mágica, mas como estratégia de ganho de tempo.

O congelamento de óvulos não resolve tudo, mas ajuda

A própria autora é muito clara: o congelamento de óvulos não resolve a falta de parceiros.

Mas ele pode funcionar como uma reserva reprodutiva, oferecendo algo precioso: tempo com mais qualidade biológica.

“Não é uma solução para a lacuna de acasalamento, mas é uma tecnologia paliativa que ajuda as mulheres a ganharem tempo no final da vida reprodutiva”, afirma  Marcia C. Inhorn.

Ou seja: você não congela óvulos para garantir uma gravidez futura. Você congela para não perder a chance antes mesmo de poder tentar.

O que a pesquisa também escancara: o custo emocional e financeiro

Outro ponto forte do livro é mostrar que congelar óvulos não é simples.

O processo envolve:

  • Estimulação hormonal diária;
  • Procedimentos médicos;
  • Impacto emocional;
  • Custos elevados (medicação, coleta, armazenamento e uso futuro).

Segundo Inhorn, a maioria das mulheres entrevistadas pagou tudo do próprio bolso, o que torna o acesso extremamente desigual.

Por isso, a autora defende que o congelamento de óvulos não pode ser tratado como produto, nem como promessa de maternidade futura, e sim como uma ferramenta médica que exige orientação séria e ética.

Onde entra o médico de Reprodução Humana nessa história

Aqui está um ponto central  e muitas vezes ignorado.

O congelamento de óvulos não deveria ser uma decisão solitária, tomada a partir de redes sociais ou discursos simplificados.

O papel do especialista em Reprodução Humana é justamente:

  • Avaliar sua idade e reserva ovariana;
  • Explicar limites reais da técnica;
  • Ajudar a entender se o congelamento faz sentido para você;
  • Ajudar a decidir quando, como e se congelar;
  • Oferecer clareza, não ilusão.

Segundo a Dra. Paula Marin, nenhuma mulher deveria congelar óvulos sem entender claramente por que está fazendo isso, quais são os limites da técnica e o que realmente está sendo preservado.

Informação é proteção. Clareza é cuidado.

Maternidade congelada não é fracasso, é estratégia

O livro de Inhorn ajuda a ressignificar algo importante: congelar óvulos não é sinal de que algo deu errado.

Na maioria das vezes, é sinal de que a mulher:

  • Sabe o que quer;
  • Entende seus limites biológicos;
  • Não quer renunciar ao desejo de ser mãe;
  • Está lidando com um cenário social complexo.

Congelar óvulos não substitui relacionamentos, mas pode impedir que o tempo decida sozinho.

Quem é a Dra. Paula Marin

A Dra. Paula Marin é médica especialista em Reprodução Humana Assistida, sócia da Mater Prime. Formada pela Faculdade de Medicina da USP, com residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP, realizou fellowship em Reprodução Humana na Yale University (EUA) e estágio no Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI – Espanha).

Atua em São Paulo, com foco em:

  • Congelamento de óvulos;
  • Planejamento reprodutivo;
  • Reprodução humana assistida;

Sua prática é guiada por três pilares:

  • Capacidade técnica;
  • Cuidado;
  • Clareza.

Conclusão

A maternidade congelada não é sobre adiar a vida. É sobre não deixar que a vida seja decidida apenas pela falta de opções.

O congelamento de óvulos não garante filhos, mas pode preservar possibilidades.

E isso, quando feito com orientação médica, ética e informação, é uma escolha legítima, não um fracasso.

Preservar a fertilidade é, muitas vezes, preservar o direito de escolher.

Autor

  • Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

    CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

Dra. Paula Marin

Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621