O Brasil registrou, em 2023, 2,52 milhões de nascimentos, uma queda de 0,7% em relação ao ano anterior. Esse é o quinto recuo consecutivo na série histórica iniciada em 1974.
E o Brasil não está sozinho nessa… Países como Japão, Coreia do Sul, Espanha, China e Itália vivem quedas ainda mais acentuadas. Em mais da metade do mundo, a taxa de fertilidade já está abaixo do nível de reposição populacional.
Mas aqui vai um ponto importante: isso não significa que as mulheres deixaram de desejar filhos.
Então por que estamos tendo menos bebês?
A explicação mais comum é econômica: moradia cara, trabalho instável, custo de criar filhos.
Tudo isso pesa. Mas não explica tudo.
Segundo a ONU, não é a falta de desejo que impede a maternidade, e sim as circunstâncias. E, quando olhamos mais fundo, surge um fator ainda mais decisivo e menos discutido.
A maternidade está sendo adiada, não abandonada
Você provavelmente cresceu ouvindo a mesma mensagem repetidas vezes: “Evite engravidar para não atrapalhar o seu futuro.”
Na escola. Em casa. Entre amigas.
Durante décadas, o planejamento reprodutivo foi ensinado quase exclusivamente como prevenção da gravidez.
Mas… e quando o futuro chega?
É aí que muitas mulheres percebem que ninguém explicou:
- Que existe um relógio biológico;
- Que a reserva ovariana diminui com o tempo;
- Que as chances de engravidar caem após os 35 anos;
- Que nem todas conseguirão engravidar sem ajuda médica.
Adiar a maternidade é legítimo. Mas adiar sem informação pode gerar frustração.
Não é só economia. É estrutura e gênero.
A economista Claudia Goldin, vencedora do Prêmio Nobel de Economia em 2023, trouxe uma leitura contundente do problema: “Não é só dinheiro. É estrutura. E, principalmente, desigualdade dentro de casa.”
As mulheres avançaram:
- Estudaram mais;
- Entraram no mercado de trabalho;
- Conquistaram autonomia.
Mas a divisão das tarefas domésticas não acompanhou essa mudança.
Os dados são claros:
- Mulheres fazem mais do que o dobro do trabalho doméstico;
- Após o nascimento de um filho, essa desigualdade aumenta ainda mais;
- Muitas mulheres adiam ou desistem da maternidade não por falta de amor, mas por falta de corresponsabilidade.
Ter filhos, para muitas mulheres, ainda significa:
➡️ Perda de autonomia.
➡️ Sobrecarga.
➡️ Impacto direto na carreira.
E isso pesa na decisão.
O paradoxo moderno: mais liberdade, menos tempo
Nunca tivemos tanta liberdade de escolha. Mas também nunca tivemos tão pouco tempo biológico disponível.
A fertilidade feminina não acompanha os avanços sociais:
- A qualidade dos óvulos diminui com a idade;
- O número de óvulos também;
- Algumas condições surgem silenciosamente.
A biologia não negocia com o contexto social. E é exatamente aqui que o planejamento reprodutivo deixa de ser opcional e passa a ser essencial.
Planejamento reprodutivo não é só evitar gravidez
Planejamento reprodutivo é decidir:
- SE você quer engravidar;
- QUANDO;
- COMO;
- QUANTOS filhos deseja ter.
E isso vale para:
- Mulheres solteiras;
- Casadas;
- Em relacionamentos homoafetivos;
- Quem pensa em produção independente.
A Lei nº 9.263/1996 garante esse direito. Planejar não é acelerar. É ter clareza.
Onde entra a reprodução humana assistida?
A reprodução assistida não existe para “consertar decisões erradas”. Ela existe para ampliar possibilidades, quando usada com informação e estratégia.
Entre as ferramentas do planejamento reprodutivo estão:
- Avaliação da reserva ovariana;
- Congelamento de óvulos;
- Inseminação intrauterina;
- Fertilização in vitro.
Mas nenhuma técnica funciona bem sem algo básico: informação no tempo certo.
Congelar óvulos: pausar o relógio biológico é possível?
O congelamento de óvulos não garante filhos e isso precisa ser dito com clareza. Mas ele pode preservar possibilidades.
É uma estratégia para quem:
- Ainda não quer engravidar;
- Não encontrou o parceiro ideal;
- Quer priorizar outros projetos;
- Deseja manter a porta da maternidade aberta.
Quanto mais cedo, melhores os resultados. Quanto mais tarde, mais limitações.
O papel do médico de Reprodução Humana
O planejamento reprodutivo não deve ser feito sozinha, nem com base em redes sociais.
O especialista ajuda você a:
- Entender sua fertilidade real;
- Interpretar exames;
- Avaliar riscos e limites;
- Decidir se congelar óvulos faz sentido para você;
- Construir um plano coerente com sua vida.
Como resume a Dra. Paula Marin, “planejamento reprodutivo não é só ensinar a evitar gravidez. É letrar a mulher sobre relógio biológico, reserva ovariana, fertilidade
e possibilidades reais de preservação da fertilidade.”
Menos bebês no mundo não é falta de desejo. É falta de estrutura.
As mulheres continuam querendo ser mães. O que mudou foi:
- O tempo;
- O contexto;
- As expectativas;
- As condições.
Planejar a fertilidade é uma forma de retomar o controle.
Quem é a Dra. Paula Marin
A Dra. Paula Marin é médica especialista em Reprodução Humana Assistida, sócia da Mater Prime. Formada pela Faculdade de Medicina da USP, com residência no Hospital das Clínicas da USP, realizou fellowship em Reprodução Humana na Yale University (EUA) e estágio no Instituto Valenciano de Infertilidade – IVI (Espanha).
Atua em São Paulo com foco em:
- Planejamento reprodutivo;
- Congelamento de óvulos;
- Reprodução humana assistida.
Seus pilares são:
- Capacidade técnica;
- Cuidado;
- Clareza.
Conclusão
Você não precisa decidir hoje se quer ou não ter filhos. Mas precisa decidir se quer ter escolha no futuro.
O planejamento reprodutivo não é sobre pressa. É sobre consciência.
E quanto antes essa conversa começa, mais possibilidades permanecem abertas.
Escolhas conscientes hoje reduzem arrependimentos amanhã.
Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.
CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

