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Você talvez tenha feito uma avaliação de fertilidade para planejar o futuro ou entender melhor seu corpo  e saiu do consultório com um diagnóstico inesperado: baixa reserva ovariana.

A partir daí, surgem as dúvidas:
“Ainda posso congelar meus óvulos?”
“Será que vou conseguir engravidar?”

A boa notícia é que ter uma baixa reserva ovariana não significa que você perdeu suas chances de ser mãe. O que muda é o tempo  e o momento de agir.

Neste artigo, a Dra. Paula Marin explica o que esse diagnóstico significa, quais são as opções de tratamento e como o congelamento de óvulos pode ajudar a preservar o seu projeto de maternidade.

O que é a reserva ovariana

A reserva ovariana representa o potencial reprodutivo dos ovários, ou seja, a quantidade e a qualidade dos óvulos que ainda restam.

Cada mulher nasce com cerca de 1 a 2 milhões de óvulos, mas esse número diminui naturalmente ao longo da vida:

  • Na puberdade, restam em média 400 mil;
  • Aos 30 anos, cerca de 27 mil;
  • Na menopausa, por volta de mil.

Essa redução faz parte do chamado relógio biológico, que varia de mulher para mulher.

Por que a reserva ovariana pode diminuir?

A idade certamente é o principal fator, mas existem outras causas:

  • Alterações genéticas (como a síndrome do X frágil);
  • Cirurgias nos ovários (como a retirada de endometriomas);
  • Radioterapia ou quimioterapia para tratar câncer;
  • Autoimunidade;
  • Causas idiopáticas (sem explicação aparente).

Importante: o estresse não causa baixa reserva ovariana.

Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, o tabagismo é o único fator de estilo de vida comprovadamente relacionado à redução da reserva.

Como é feito o diagnóstico

A baixa reserva ovariana raramente dá sintomas. Algumas mulheres podem notar um encurtamento do ciclo menstrual (de 28 para 25 dias, por exemplo), mas na maioria dos casos o diagnóstico é feito por exames específicos:

  • Ultrassonografia transvaginal, que mostra o número de folículos antrais (folículos visíveis nos ovários) – geralmente dizemos que a reserva está baixa se menos de 5-7 folículos antrais;
  • Dosagens hormonais, especialmente:
    • FSH (hormônio folículo-estimulante) – hormônio com grande variabilidade, pouco fidedigno;
    • AMH (hormônio antimülleriano) – esse sim um exame importante, hormônio mais utilizado para a avaliação da reserva ovariana. Um AMH menor de 1ng/ml mostra que a reserva está baixa.

Esses exames combinados permitem ajudam na avaliação e decisão sobre o momento de congelar os óvulos.

Baixa reserva ovariana e congelamento de óvulos

O diagnóstico de baixa reserva não impede o congelamento, apenas exige planejamento personalizado.

Segundo a Dra. Paula Marin, você pode sim congelar seus óvulos! Talvez não consiga tantos em um único ciclo, mas o mais importante é agir enquanto ainda há óvulos disponíveis.

O congelamento é um procedimento seguro, rápido e eficaz, mesmo para mulheres com contagem folicular reduzida. Em alguns casos, é preciso realizar mais de um ciclo para atingir o número ideal de óvulos congelados.

Como funciona o congelamento de óvulos

De forma simples, o processo envolve três etapas principais:

  1. Estimulação ovariana

Uso de medicações hormonais por cerca de 10 a 12 dias para estimular o crescimento de múltiplos folículos. O desenvolvimento é monitorado por ultrassonografias.

  1. Aspiração folicular

Quando os folículos atingem o tamanho adequado, os óvulos são coletados em centro cirúrgico sob sedação leve. O procedimento é rápido, dura em média 20 minutos.

  1. Congelamento (vitrificação)

Os óvulos maduros são congelados por uma técnica de congelamento rápido chamada vitrificação, que evita danos celulares.

Eles ficam armazenados em tanques de nitrogênio líquido, podendo ser usados anos depois.

Todo o processo dura cerca de 12 a 14 dias, um ciclo menstrual.

Baixa reserva não é o mesmo que baixa qualidade

Ter poucos óvulos não significa que eles sejam de baixa qualidade. E essa informação é muito importante!

A avaliação da reserva ovariana por meio dos marcadores de AMH ou contagem de folículos antrais vai trazer informação sobre a quantidade da reserva, e não sobre a qualidade.

A idade é o principal fator que determina a qualidade dos óvulos.

Se você tem uma baixa reserva ovariana, detectada por uma baixa contagem de folículos antrais ou por um AMH menor que 1,0ng/ml, mas tem menos de 35 anos, seus óvulos ainda têm qualidade e, portanto, sua fertilidade não estará comprometida.

A baixa reserva em uma mulher abaixo de 35 anos é muito diferente da baixa reserva de uma mulher acima de 40 anos. Na primeira, há qualidade, a fertilidade não está comprometida, e técnica como o congelamento de óvulos pode trazer boas chances para o futuro. Na segunda, a reserva baixa é natural e esperada, e há ainda o comprometimento de qualidade e qualidade. O congelamento de óvulos nesses casos pode ser um tratamento de grandes desafios e baixa taxa de sucesso no futuro.

Será que vou precisar de mais de um ciclo?

Depende da idade e dos resultados de cada estimulação, e também da meta de segurança reprodutiva que a paciente deseja atingir.

Exemplo:
Uma mulher de 37 anos que congela 10 óvulos em um ciclo tem cerca de 50% a 60% de chance de gerar um bebê no futuro.

Se quiser aumentar essa probabilidade, pode optar por realizar um novo ciclo. Essa decisão é tomada em conjunto com a médica, após a análise dos resultados e das expectativas pessoais.

Baixa reserva ovariana não é o fim da linha

Receber esse diagnóstico pode gerar medo e incerteza, mas ele também pode ser um convite à ação e ao autoconhecimento.

Com informação, planejamento e acompanhamento médico especializado, é possível construir um caminho seguro para a maternidade, seja agora, seja no futuro.

Engravidar com baixa reserva é possível. O que muda é o caminho. E é papel do médico ajudar cada mulher a escolher o melhor, com clareza e respeito às suas escolhas.

Quem é a Dra. Paula Marin

A Dra. Paula Marin é médica especialista em Reprodução Humana Assistida.
Formada pela Faculdade de Medicina da USP, com residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da USP, realizou fellowship em Reprodução Humana na Yale University (EUA) e estágio no Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI – Espanha).

Atua em São Paulo, na Mater Prime, com foco em tratamentos como fertilização in vitro, preservação da fertilidade e congelamento de óvulos.

Sua prática clínica é guiada por três pilares:

  • Capacidade técnica – atualização constante com base nas melhores evidências científicas;
  • Cuidado – acolhimento e empatia em todas as etapas do tratamento;
  • Clareza – comunicação acessível e transparente para que cada paciente entenda suas opções.

Conclusão

Um diagnóstico de baixa reserva ovariana pode assustar, mas não precisa limitar seus sonhos. Com as ferramentas da medicina reprodutiva e o acompanhamento certo, é possível transformar informação em estratégia e esperança em projeto de vida.

Autor

  • Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

    CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

Dra. Paula Marin

Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621