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Receber o resultado de um exame mostrando um cisto no ovário costuma gerar preocupação. Quando esse cisto recebe o nome de endometrioma é natural que muitas mulheres façam imediatamente a pergunta: “Será que isso pode comprometer minha chance de engravidar?”

A resposta é que essa preocupação faz sentido, mas não deve ser motivo para pânico.

O endometrioma é uma manifestação da endometriose que pode, sim, interferir na fertilidade. Porém, isso não acontece da mesma forma em todas as mulheres. O impacto depende de fatores como a idade, o tamanho e a localização do cisto, a reserva ovariana, a presença de endometriomas em um ou ambos os ovários e o planejamento reprodutivo de cada paciente.

Mais importante do que ter medo do diagnóstico é compreender o seu cenário para tomar decisões no momento certo.

O que é um endometrioma?

O endometrioma é um tipo de cisto benigno que se forma quando a endometriose acomete o ovário.

Esse cisto costuma se desenvolver justamente no córtex ovariano, que é a região onde ficam armazenados os folículos contendo os óvulos.

Por isso, quando falamos em endometrioma, não estamos apenas diante de um cisto benigno. Estamos falando de uma alteração localizada em uma área extremamente importante para a fertilidade feminina.

Por que o endometrioma pode afetar a fertilidade?

O principal motivo é que o endometrioma cria um ambiente inflamatório persistente dentro do ovário.

Esse processo inflamatório libera diversas substâncias capazes de modificar o ambiente ao redor do cisto, favorecendo um processo contínuo de agressão ao tecido ovariano saudável.

Com o passar do tempo, essa inflamação pode contribuir para:

  • destruição de folículos ovarianos;
  • redução da quantidade de óvulos disponíveis;
  • possível comprometimento da qualidade dos óvulos;
  • diminuição progressiva da reserva ovariana.

Por isso, o impacto do endometrioma vai além da presença do cisto em si. O que preocupa é o efeito que ele pode exercer sobre o funcionamento normal do ovário.

O que dizem os estudos?

Diversos estudos mostram que mulheres com endometrioma podem apresentar alterações relacionadas à fertilidade.

Entre elas estão:

  • redução da reserva ovariana, que pode ser observada pelos níveis mais baixos do hormônio antimulleriano (AMH), um dos marcadores utilizados para avaliar a reserva ovariana;
  • menor resposta aos medicamentos utilizados na estimulação ovariana em alguns tratamentos de reprodução assistida.

Isso não significa que todas as mulheres com endometrioma terão dificuldade para engravidar. Mas mostra que o diagnóstico merece uma avaliação cuidadosa, especialmente quando existe desejo de ter filhos no futuro.

O impacto na fertilidade depende de cada mulher

Nem todo endometrioma causa o mesmo grau de comprometimento. Alguns fatores ajudam a entender melhor o risco individual de impacto na sua fertilidade.

Entre eles estão:

  • idade da paciente;
  • tamanho do endometrioma;
  • presença de cistos em um ou nos dois ovários;
  • reserva ovariana atual;
  • intensidade da endometriose;
  • desejo de engravidar agora ou mais adiante.

Por isso, comparar seu caso com o de outra mulher raramente faz sentido. Cada paciente possui uma história reprodutiva diferente.

O problema nem sempre é apenas o endometrioma

Existe um aspecto importante que costuma surpreender muitas pacientes. Em algumas situações, o impacto sobre a fertilidade não está apenas na doença, mas também no tratamento cirúrgico.

A cirurgia para retirada do endometrioma pode ser necessária em determinados casos, como quando existem:

  • dor importante;
  • crescimento significativo do cisto;
  • suspeita diagnóstica de malignidade que precise ser esclarecida (velocidade grande crescimento ou característica duvidosa do cisto);
  • outras indicações definidas pelo ginecologista.

Entretanto, é importante compreender que a cirurgia também pode interferir na reserva ovariana.

Isso acontece porque, durante a retirada do cisto, pode ocorrer perda de parte do tecido saudável do ovário, mesmo quando o procedimento é realizado por cirurgiões experientes.

Por esse motivo, a decisão de operar deve sempre considerar não apenas o controle da doença, mas também os planos reprodutivos da paciente.

Quando pensar em congelamento de óvulos?

Essa é uma das conversas mais importantes para mulheres com endometrioma. Nem toda paciente precisará congelar óvulos. Mas existem duas situações em que essa possibilidade merece ser discutida.

A primeira situação é de endometrioma com indicação cirúrgica. Essa talvez seja a situação mais clássica.

Quando há indicação cirúrgica para retirada do endometrioma, por exemplo, pode ser interessante avaliar a preservação da fertilidade antes da cirurgia, especialmente quando existe desejo de adiar a maternidade.

A segunda situação em que o congelamento ovariano deve ser considerado envolve também os endometriomas, mas aqueles sem indicação cirúrgica. Essa é uma situação mais desconhecida.

Mulheres que não precisam operar imediatamente, mas pretendem engravidar apenas daqui a alguns anos, também podem se beneficiar dessa conversa.

Isso acontece porque tanto a idade quanto a evolução da própria doença podem reduzir progressivamente a reserva ovariana.

Em geral, essa avaliação ganha ainda mais importância em mulheres que apresentam:

  • idade acima dos 30 anos;
  • baixa reserva ovariana;
  • endometriomas em ambos os ovários;
  • indicação cirúrgica;
  • desejo de postergar a gestação.

Se você tem endometrioma e pretende engravidar no futuro, sua jornada pode ser mais desafiadora. Tanto a doença em si quanto a cirurgia para remoção do cisto colocam em risco a integridade do córtex do ovário, podendo resultar em perda de tecido ovariano saudável e redução da reserva folicular. Por isso, o congelamento de óvulos deve ser considerado pelo seu médico e por você.

Um erro comum: esperar demais

No consultório, uma situação se repete com frequência. A mulher recebe o diagnóstico de endometrioma. Como ainda não pretende engravidar, apenas acompanha o cisto durante anos.

Em outros casos, realiza uma ou mais cirurgias ao longo da vida. Enquanto isso, a fertilidade raramente entra na conversa.

Quando finalmente surge o desejo de engravidar, algumas pacientes já apresentam redução importante da reserva ovariana.

Isso não significa que esse desfecho acontecerá com todas. Mas mostra a importância de incluir o planejamento reprodutivo desde cedo. Mesmo que a gravidez não faça parte dos planos atuais.

Planejamento reprodutivo faz parte do tratamento

Receber o diagnóstico de endometrioma não significa que seja necessário engravidar imediatamente.

Também não significa que todas as mulheres precisarão recorrer à reprodução assistida. O mais importante é compreender o seu cenário.

Avaliar a reserva ovariana, entender a extensão da doença, conversar sobre os planos para maternidade e discutir estratégias futuras permite tomar decisões com mais tranquilidade e segurança.

Hoje, existem diferentes possibilidades para preservar a fertilidade quando conseguimos agir antes que o tempo ou a própria doença reduzam essas opções.

Quem é a Dra. Paula Marin?

A Dra. Paula Marin é médica especialista em Reprodução Humana Assistida, com atuação voltada ao diagnóstico e tratamento da infertilidade, preservação da fertilidade e planejamento reprodutivo.

Seu trabalho é baseado em três pilares:

Capacidade técnica
Com atualização constante e decisões fundamentadas nas melhores evidências científicas disponíveis.

Cuidado
Com acolhimento, escuta e respeito aos objetivos e ao momento de vida de cada paciente.

Clareza
Para transformar informações complexas em orientações acessíveis, permitindo que cada mulher participe ativamente das decisões sobre sua fertilidade.

Conclusão

O endometrioma pode, sim, afetar a fertilidade ao comprometer progressivamente o tecido ovariano e reduzir a reserva de óvulos. Em algumas situações, a própria cirurgia necessária para tratar a doença também pode exercer impacto sobre a função dos ovários.

Isso não significa que todas as mulheres com endometrioma terão dificuldade para engravidar, mas reforça a importância de não adiar uma conversa sobre fertilidade.

Conhecer sua reserva ovariana, compreender o comportamento da doença e discutir o planejamento reprodutivo com seu médico são atitudes que ajudam a preservar possibilidades futuras.

Quando conseguimos avaliar cada caso individualmente e agir no momento adequado, ampliamos as opções disponíveis e tornamos as decisões mais conscientes, respeitando tanto o tempo biológico quanto os projetos de vida de cada mulher.

 

 

Autor

  • Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

    CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

Dra. Paula Marin

Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621