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Em maio, celebramos o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose. O objetivo da data é conscientizar a população, principalmente o público feminino, sobre a doença e dar destaque para a importância do diagnóstico precoce, amplamente justificado pela possibilidade de tratamento imediato, recuperação das pacientes, redução dos quadros álgicos e possibilidade de tratamento da infertilidade, presente em aproximadamente 50% das pacientes com idade jovem.

A endometriose afeta cerca de 180 milhões de mulheres no mundo, sendo mais de 7 milhões só no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É caracterizada pelo crescimento de fragmentos do endométrio, tecido que reveste o útero, em outras regiões do órgão e do corpo, como tubas uterinas, ovários, bexigas e, em alguns casos, intestino.

A doença é crônica e não tem cura. Os números nos fazem refletir sobre a sua gravidade:

  • 1 em cada 10 mulheres sofre com endometriose no Brasil;
  • 57% das pacientes com endometriose têm dores crônicas;
  • Mais de 30% dos casos levam à infertilidade.

Dentre os sintomas mais prevalentes estão dismenorreia severa (dores pélvicas ou cólicas muito fortes, a ponto de  impedir que as mulheres realizem  atividades rotineiras); inchaço abdominal; dispareunia profunda, que são dores durante as relações sexuais; dor ao urinar e evacuar, principalmente durante o período menstrual e fadiga.

A endometriose é popularmente conhecida como a “doença da mulher moderna”, afinal, hoje, as mulheres estão optando por ter menos filhos e postergando cada vez mais a maternidade. Consequentemente, cada vez mais, elas estão mais expostas ao estrogênio, o hormônio que estimula a atividade do tecido endometrial. Por isso o aumento do número de mulheres diagnosticadas com a doença.

Endometriose e infertilidade

A endometriose está associada aos fatores femininos de infertilidade. Entre 30% e 50% das mulheres com endometriose podem apresentar infertilidade. Isso porque a endometriose pode influenciar a fertilidade de várias maneiras:

  1. Alterações Anatômicas: a doença moderada ou grave geralmente leva a aderências peritubárias ou periovarianas, comprometendo a motilidade tubária e a captura do óvulo, ou seja, prejudicando a função das trompas;
  2. Fatores Imunológicos: o fluido peritoneal de mulheres com endometriose tem um nível anormalmente alto de citocinas pró-inflamatórias, prostaglandinas, fatores de crescimento e outras células inflamatórias, que provavelmente participam da etiologia ou sustentação dos implantes de endometriose. É possível que tais alterações inflamatórias afetem negativamente a motilidade espermática, os ovários, a fertilização, a sobrevivência do embrião e a função tubária;
  3. Implantação: estudos de perfil genético descobriram que a resistência à progesterona no nível do endométrio pode afetar negativamente a implantação do embrião. Sendo assim, para que uma mulher com endometriose consiga engravidar naturalmente é preciso considerar o grau de comprometimento dos órgãos reprodutores acometidos pela doença. Em muitos casos, após o tratamento, por exemplo a laparoscopia (cirurgia para endometriose), a mulher consegue engravidar naturalmente. Em outros, pode ser necessária a realização de tratamentos de fertilidade assistida, como a FIV (fertilização in vitro).

Endometriose e congelamento de óvulos

O congelamento de óvulos para mulheres acometidas pela endometriose é indicado  especialmente quando os endometriomas estão presentes.

O endometrioma é um cisto benigno. É uma das formas de endometriose que se estabelece quando as lesões acometem os ovários. Tende a se formar próximo ao córtex do ovário, porção do órgão onde está localizada a reserva ovariana, por isso a ameaça à fertilidade feminina é real.

A formação do endometrioma pode prejudicar a reserva ovariana e acarretar perda folicular. Ou seja, o número de óvulos disponíveis diminui, reduzindo também a capacidade de ovulação e as chances de concepção.

“Se a mulher tem endometrioma e pretende engravidar, sua jornada pode ser desafiadora. Tanto a doença em si quanto a cirurgia para remoção do cisto colocam em risco a integridade do córtex do ovário, podendo resultar em perda de tecido ovariano saudável e redução da reserva folicular”, explica Paula Marin, especialista em Reprodução Humana Assistida, que é sócia da Mater Prime.

Por isso é tão importante contar com o suporte do especialista em Reprodução Humana Assistida para conseguir engravidar. Em caso de endometrioma, a preservação da fertilidade, especialmente o congelamento de óvulos, é a opção terapêutica que se apresenta mais adequada, antes da realização de retirada dos cistos.

Um outro ponto que deve ser levado em consideração diz respeito ao aumento da prevalência da infertilidade em pacientes com endometriose, mesmo quando não há endometrioma. “Aquelas mulheres que estão postergando a maternidade, passaram de 30 anos e não vislumbram gravidez nos próximos anos, têm uma chance maior de terem dificuldade para engravidar no futuro. Logo, a ideia do congelamento de óvulos para essas mulheres ganha uma importância ainda maior”, destaca a médica.

Como não é possível prever a infertilidade, não é possível saber quais mulheres com endometriose apresentarão dificuldades para ter filhos, elas terão que tentar a gravidez para ver se a dificuldade aparece.

Mulheres com endometriose têm maior chance de terem dificuldades para engravidar e, portanto, de precisarem de tratamento de reprodução assistida. Ter óvulos congelados em idade mais jovem vai dar a elas uma chance maior de gravidez, no futuro, do que se tentarem uma fertilização in vitro, sem terem congelado gametas, apenas empregando óvulos aspirados no momento em que a infertilidade for diagnosticada”, explica.


Mulheres com endometriose podem engravidar? Sim, mas o caminho pode ser mais desafiador. Entenda como a doença afeta a fertilidade, quando recorrer à fertilização in vitro e porque o congelamento de óvulos pode ser sua melhor decisão hoje. 👉 Agende sua consulta e saiba tudo sobre endometriose e fertilidade feminina, da dor ao positivo no teste!

Autor

  • Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

    CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621

Dra. Paula Marin

Especialista em Reprodução Humana Assistida, meu objetivo é ajudar mulheres a realizarem o sonho da maternidade no tempo certo — seja agora ou no futuro. Mais do que protocolos, ofereço acolhimento, escuta e planos reprodutivos personalizados, com destaque para o congelamento de óvulos.

CRM-SP 129377 • RQE: 69162 • RQE: 691621